08 de julho de 2026
Cultura

História de mudança

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 3 min

Iniciada em 1983, a história do Nuphis está com capítulos em aberto. E com certa dose de suspense: afinal, o Núcleo de Documentação e Pesquisa Histórica “Gabriel Ruiz Pelegrina” vai fechar? A resposta da USC (Universidade do Sagrado Coração), guardiã do acervo, é...

 

“Não, não vai. O núcleo mantém o mesmo nome, inclusive. O que ocorre é um processo de mudança de um galpão maior, em área externa, à frente da universidade, para prédio menor que fica dentro da USC, mais seguro e arejado”, justifica o coordenador geral de extensão, Luiz Antonio Fernandes Fonseca. 

 

E a devolução de parte do acervo aos donos originais: é verdade? Sim. “De fato, estamos chamando algumas pessoas e instituições para acertar essa situação”. A mudança para antiga ala interna que abrigava a Edusc já começou nesta semana. É tida como inevitável porque a USC precisa de espaço para novos e complexos laboratórios de cursos. E o prédio do Nuphis, por ser térreo e espaçoso, cai como uma luva para isso.

 

 

 

Separam, embalam...

 

“Precisa ficar claro que ninguém vai colocar nada na calçada”, ressalta Luiz Fonseca. Mas que o Nuphis não será mais o mesmo, é fato. Além de ir para prédio menor, vai priorizar manutenção de acervo que conta a história dos 49 anos da USC, desde os tempos de Fafil (Faculdade de Filosofia).  E qual a situação de momento? “O Nuphis tem três funcionários. Separam material, embalam... A mudança, em sua primeira fase, deve estar concluída até a primeira quinzena de abril.” 

 

 

 

O que permanece, o que sai

 

Fotos, troféus, mapas, medalhas, livros, discos e documentos antigos sem qualquer relação com a trajetória da USC na comunidade deverão sair. Cartas de época, estantes e equipamentos obtidos ao longo dos anos, inclusive com apoio financeiro da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), continuam a serviço do Nuphis, segundo Luiz Fonseca. (JPF) 

 

 

 

Câmara: ‘Vai ficar tudo encaixotado’

 

O presidente da Câmara, Roberval Sakai, disse ontem que o acervo da Câmara que está no Nuphis voltará, sim, para o Legislativo. Mas, por enquanto, vai ficar tudo encaixotado. “Teremos uma sala para isso, conforme decidiu a mesa diretora. Só que ainda estamos comprando alguns arquivos, no processo de cotação de preços, para acomodar o material”. (JPF) 

 

 

 

Associação mantém crítica à alteração

 

O presidente da Associação dos Amigos dos Museus de Bauru (AAMB), Henrique Perazzi de Aquino, alertava em carta ao JC, publicada em 17 de março, sobre “preocupações e apreensões” sobre as mudanças no Nuphis.

 

“O mais importante agora é que a Prefeitura consiga acondicionar o material em local condizente à importância que tem”, disse ontem. Para ele, o fato de a municipalidade reassumir parte do material deve facilitar futuras cobranças de preservação, o que é dificultado no caso de uma entidade privada, como a USC, de acordo com Aquino. 

 

Conforme o JC já divulgou, cerca de 7

% do material do Nuphis deverá voltar para municipalidade.

 

 

 

Prefeitura: ‘Equipes fazem transferência’

 

Segundo o secretário municipal de Cultura, Elson Reis, parte do acervo alocado no Jardim Brasil, onde fica a USC, vai começar a ser transferido até o final desta semana. 

 

São: cadastro imobiliário da prefeitura, objetos relativos à ferrovia, fotos, discos (LPs), etc. “As equipes da USC e da Secretaria da Cultura, envolvendo o Departamento de Proteção ao Patrimônio Cultural, estarão envolvidas. Vai haver conferência do material em sua saída e sua chegada”, informou o secretário.

 

O acervo histórico será dividido entre os museus de Bauru, entre eles o Museu Histórico Municipal, o Museu Ferroviário e o Museu de Imagem e Som (MIS) – que ainda será construído.