Brasília - O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, encaminhou ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de abertura de inquérito para investigar suspeitas de participação de parlamentares num esquema de exploração de jogos ilegais, entre eles o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que deixou o comando da bancada do seu partido no Senado.
O pedido de investigação havia sido revelado por Gurgel mais cedo em reunião com parlamentares da Câmara e do Senado. Na conversa com esses deputados e senadores, o procurador não revelou o nome dos demais investigados no âmbito da Operação Monte Carlo, mas disse que havia mais congressistas envolvidos.
Se o STF aceitar o pedido de investigação, ganha força a possibilidade de abertura de um processo político de investigação no Conselho de Ética do Senado contra Torres.
Nos últimos dias, o DEM e Torres vinham conversando com outros senadores para evitar a abertura de um processo no Conselho de Ética para analisar se há quebra de decoro parlamentar, o que poderia inclusive resultar na cassação do mandato do senador.
Para o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), porém, o pedido formal de Gurgel ao Supremo “torna inevitável” a abertura de um processo político para analisar a possível quebra de decoro parlamentar de Torres.
Até agora, Torres é o único parlamentar que publicamente teve seu nome ligado à Operação Monte Carlo, que começou em 2
8 e investigou a quadrilha que explorava jogos ilegalmente. Segundo informações publicadas pela mídia, o senador teria estreita relação com Carlos Augusto Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, acusado de ser o chefe da quadrilha.
Mesmo antes do iminente pedido de abertura de inquérito, Torres renunciou ontem ao cargo de líder da bancada do DEM no Senado. Na curta carta de renúncia, o parlamentar disse que queria “acompanhar a evolução dos fatos noticiados nos últimos dias” e, por isso, pedia o “afastamento da liderança”.
Ele também escreveu uma carta ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), pedindo para fazer um discurso com o objetivo de se defender dos ataques à “honra”, assim que tiver acesso ao processo.
Conexões de Cachoeira
Preso por exploração de jogos ilegais, empresário tem ligações com o senador Demóstenes Torres (DEM-GO)
Investigação
O Ministério Público Federal em Goiás denunciou Cachoeira e mais 8
pessoas na semana passada por envolvimento em uma suposta quadrilha desarticulada pela Operação Monte Carlo. O esquema envolve a exploração de jogos caça-níquel
Contra o senador
1 - Demóstenes aparece em 3
gravações telefônicas conversando com Cachoeira. Ele admitiu ter recebido do empresário um telefone antigrampo para conversas exclusivamente entre os dois
2 - Segundo as gravações, ele teria pedido R$ 3 mil para o empresário pagar uma despesa de táxi-aéreo
3 - Além disso, é suspeito de revelar para Cachoeira o conteúdo de reuniões sigilosas
4 - O democrata também ganhou de Cachoeira um fogão e uma geladeira, presentes que segundo Demóstenes foram oferecidos por um “amigo” quando se casou no ano passado