Pra ver como são as coisas. Há cerca de 4 semanas atrás, fiz uma matéria nesta coluna falando sobre os irresponsáveis sobre rodas destacando os maus motociclistas, conhecidos como motoqueiros, e os riscos que correm no trânsito e o transtorno que causam aos demais.
Semana passada, recebi um convite da Polícia Militar de Bauru para participar de uma reunião com a Emdurb e representantes de vários Motoclubes da cidade, a respeito de um evento chamado de 1º Moto Vida que ocorreu no domingo passado no Vitória Régia.
O Ten. Cel. PM Nelson Garcia, comandante do 4º BPMI, expos claramente os objetivos deste evento, que foi o primeiro de uma série que visa melhorar a segurança no trânsito da cidade e reduzir o número de acidentes (fatais ou não) envolvendo motocicletas. O Sr. Nico Mondelli, presidente da Emdurb, destacou que durante o evento, seriam feitas demonstrações de frenagem de emergência (também aqui comentadas alguns dias antes) pelos pilotos Marcelo Sonna e Beto Guizardi, com suas experiências do Supermotard. Parabéns pela iniciativa!
O evento contou com a participação de vários motoclubes da região como os Bodes do Asfalto, Lobos, Cães do Asfalto, Zapata, Eu amo Segunda Feira, V3 dentre vários outros, cuja presença em grupo reforça a nossa posição de que se pode (e deve) pilotar uma moto de forma segura e prazerosa, respeitando tanto as leis da física quanto as de trânsito. Mas o intuito principal da participação de motoclubes organizados é de demonstrar que motociclismo é coisa séria e deve ser praticado por gente séria. Como em qualquer atividade humana que envolva riscos, existem regras que precisam ser seguidas por todos e os maus profissionais devem ser primeiramente treinados, depois advertidos e na reincidência, excluídos do meio para não prejudicarem os demais. Portanto, mostrar aos trabalhadores motociclistas que podem fazer seu serviço de forma segura e não precisam agir como motoqueiros, gerando má fama indevida para todo um grupo social e elevados custos de resgate e hospitalização para a sociedade, sem contar com os problemas familiares decorrentes de sua irresponsabilidade.
Uma das críticas que fiz durante a reunião prévia foi da facilidade em se tirar carta de moto no País. As leis são muito brandas e é fácil fazer um curso, prestar o exame com uma 125 apenas em 1ª marcha e depois ter a liberdade de dirigir de imediato qualquer foguete sobre duas rodas. Hoje, um centro de formação de condutores ensina a tirar carta e não a dirigir. Não temos obrigatoriedade de aulas de moto a noite, na estrada e com chuva. Afinal, são condições normais que enfrentaremos no dia a dia ou não? Então, por que não treinar antes e ensinar como se comportar eficazmente nestas situações? Na prática, colocamos pessoas habilitadas (apenas com documento) mas despreparadas nas ruas, potenciais futuras vítimas ou algozes no trânsito.
A segurança envolve vários fatores, desde educacionais até punitivos. A população se acostumou a receber multas por radares, que punem apenas o excesso de velocidade. Existem várias infrações que não são punidas com tanto rigor, como furar um sinal vermelho, sair antes do verde para nós (já reparou que vários motoqueiros saem quando o farol fica vermelho para o outro lado e não esperam o verde para sua pista?), além de outras infrações menores como pilotar de sandálias de dedo e bermudas (sem proteção alguma em caso de queda), mulheres com sapatos de salto alto incompatíveis com a pedaleira da moto, dentre outras.
Quanto ao capacete, merece um parágrafo a parte. Temos uns fazendo uso correto da única proteção que temos para nossas cabeças, enquanto outros o usam como se fosse apenas uma obrigação legal para não levar multas (burrice!), como um chapéu enterrado até a testa ficando com o rosto de fora. Se passar um guarda, ele abaixa o capacete... Cara esperto, né? Outra estupidez é andar com a viseira aberta. Ela serve para proteger seus olhos contra a entrada de mosquitos ou sujeira. Com a velocidade, um besouro pode virar um tiro, sabemos disso. E a desculpa do calor não cola, já que na cidade pode-se usar um capacete aberto, com a viseira abaixada. E a cinta jugular sempre ajustada, para o capacete não se soltar em uma queda.
Esta coluna está sempre aberta e à disposição da Polícia Militar, Emdurb ou qualquer órgão interessado na segurança, para contribuir no que puder. Que nos próximos eventos Moto Vida tenhamos cada vez mais participação dos verdadeiros interessados, de qualquer cilindrada.