Enquanto a disputa pela Prefeitura de Bauru centraliza os debates eleitorais entre a opinião pública, as articulações para formação de chapas proporcionais estão na pauta dos bastidores políticos. Governo e oposição se preocupam com o número de cadeiras que vão eleger para a Câmara Municipal de 2
13. Em ambos os lados, uma tendência atípica e de risco está sendo discutida: a união de partidos com bom potencial eleitoral para a formação dos chamados ‘chapões’.
Normalmente, os partidos maiores se coligam com os ‘nanicos’ com o único objetivo de ampliar o número de 22 para 34 candidatos que podem ser lançados pela chapa, mas os pequenos ocupam poucas vagas no grupo e, na prática, ajudam apenas a sigla maior a ter mais vagas e impulsionar o total de votos.
Essa realidade, porém, pode ser diferente este ano. Em uma reunião realizada ontem, na casa do vereador Renato Purini (PMDB), os presidentes dos partidos que estarão com o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) tiveram a primeira reunião para discutir a configuração das alianças proporcionais. Entre as propostas, o ‘chapão’ não ficou de fora.
A ideia era de que, a princípio, PMDB, PT, PR, PP, PDT, PSB, PR, PC do B e PSC estivessem juntos na coligação para eleição de vereadores, lançando 34 candidatos com grande potencial de votos, de preferência, com mais de 2 mil votos. Essa conversa já corria nos bastidores da sessão legislativa da última segunda-feira.
No entanto, a proposta foi levantada na reunião de ontem pelo PT, segundo lideranças partidárias que estavam presentes. O presidente do partido, Sandro Bussola, porém, nega. “Isso não foi defendido pelo PT. Nós temos condições, inclusive, de não coligar e lançar uma chapa completa”, insiste o dirigente petista.
Presidente do PMDB, Purini tem a fixação de conseguir eleger o maior número possível de vereadores ligados a Rodrigo, de preferência 12, a fim de garantir amplo apoio da base caso o prefeito se reeleja este ano. A essa altura do campeonato, ele não descarta hipóteses. No entanto, não tem certeza de que a formação de um ‘chapão’ seja a melhor estratégia. “Mesmo que os 34 candidatos tenham 2 mil votos, faríamos 68 mil votos. Isso não suficiente para eleger uma boa base”, pondera.
Além disso, o vereador argumenta que são os candidatos a vereador que levam a campanha majoritária para a rua. “Se podemos ter 1
deles trabalhando pelo Rodrigo, por que vamos ter 34?”, questiona Purini.
Além das questões de estratégia eleitoral, a formação dos ‘chapões’ pode enfraquecer os partidos políticos. Isso porque as legendas teriam que descartar as pré-candidaturas de muitos militantes de médio potencial de voto, mas já estão empenhados a participar da disputa eleitoral.
Como não houve definições na reunião governista de ontem, os líderes partidários vão se encontrar mais uma vez na próxima quarta-feira. Segundo Renato Purini, as legendas vão abrir suas listas de pré-candidatos na ocasião. “A partir disso, poderemos discutir com mais embasamento qual será o melhor caminho”, pontuou.
O parlamentar do PMDB, no entanto, afirma que todos os partidos estão dispostos a colaborar em prol das estratégias eleitorais. “Até mesmo os que têm condições de lançar chapas completas, como a gente e o PR, poderão se coligar”, garantiu.
PSDB e DEM discutem estar juntos
Como adiantou a edição de ontem do Jornal da Cidade, dois partidos que, tradicionalmente, apresentam boas chapas de candidatos a vereador podem se coligar na disputa proporcional este ano. O vereador e presidente tucano Marcelo Borges (PSDB) confirmou as negociações. “Primeiro precisamos definir a majoritária, mas, caso estejamos juntos, a tendência é de que ampliemos essa aliança para a disputa proporcional”, afirmou.
Segundo Borges, a intenção é de que, juntos, as duas siglas possam eleger dois vereadores. Atualmente, PSDB tem três cadeiras e o DEM, duas. No entanto, ambos os partidos tiveram perdas significantes da última eleição para cá. Os demistas não contam mais, por exemplo, com Fábio Manfrinato (PR) e Paulo Eduardo Martins (PSDB). Além disso, a própria vereadora Chiara Ranieri (DEM) deve concorrer à Prefeitura de Bauru.
Já os tucanos podem não ter Marcelo Borges na chapa. Além disso, o ex-vereador e bom de votos João Parreira de Miranda (PSDB) também não quer disputar a eleição em 2
12.
Apesar do cenário, o DEM garante que tem condições de lançar uma chapa completa e ressalta, inclusive, que é um dos poucos partidos com o mínimo de candidatas do sexo feminino exigido pela lei.