09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

AINDA SOBRE A TELEVISÃO E MALES CORRELATOS


| Tempo de leitura: 2 min

Conta-se que certa vez Groucho Marx  (1890-1977), ator e humorista norte-americano, conhecido por ser irônico e mordaz com as
palavras, disparou a seguinte frase: "Considero a televisão muito educativa. Toda vez que alguém  liga a televisão em casa, pego um bom
livro e vou para o quarto ao lado".

Na realidade, Groucho Marx não era irônico, mas apenas falava as verdades de forma brincalhona. Realmente a televisão brasileira deixa a desejar. Comentaristas esportivos com
pretensões humorísticas, que comentam como um torcedor qualquer numa rodada de chope; apresentadoras, loiras e morenas, que têm
vocabulário de criança de oito anos; apresentador  iracundo e "fazedor de média", primário e barato, que acha que ser ateu é ser
criminoso; pregadores que falam do capeta com intimidade genital etc. Mas a verdade deve ser dita: a televisão, de uma maneira geral, não
pretende ser instrutiva, mas apenas um instrumento de lazer e entretenimento, que na maioria das vezes não se coaduna com
enriquecimento cultural. Se televisão educativa desse retorno, programas como o do professor Pasquale Cipro Neto, ou pelo menos similares ao National Geographic ou ao Discovery Channel,  seriam
diários, com três horas de duração, e não semanais com quinze minutos. De nada adianta a existência de sites da cidadania contra a baixaria
na TV se o próprio povo, que aprecia músicas gêneros bundalelê e eguinha pocotó, com sua fidelidade canina, é quem dá audiência à
baixaria. Espremendo tudo, dá isso. Só isso. Lembro ainda o lançamento de um livro, escrito por uma pedagoga brasileira, em que ela defende a
criança que escreve e fala errado. Segundo a educadora (???), essa criança não pode ser vítima do preconceito lingüístico. Não estaria
essa professora de uma maneira direta ou indireta contribuindo para o emburrecimento da população? Será que lá em Cingapura, país asiático
que saltou do terceiro para o primero mundo em quarenta anos, alguma pedagoga lançou um livro parecido com esse? E lá na China, país
emergente com base sólida na educação, tem algum pedagogo se esmerando nesse gênero  de "livro didático"?

Sidnei Rodrigues