Toulouse - O enterro do atirador de Toulouse, Mohamed Merah, foi realizado ontem no início da noite na parte muçulmana do cemitério de Cornebarrieu, no subúrbio de Toulouse, no sudoeste da França. Pouco mais de dez pessoas, jovens na maior parte, acompanharam o corpo do matador e realizaram uma oração no momento em que o corpo desceu à sepultura, segundo testemunhas posicionados na parte de fora do cemitério.
O cemitério, em teoria fechado a essa hora, foi aberto especialmente para a cerimônia.
O enterro foi o término da polêmica em torno do destino a ser dado ao corpo de Mohamed Merah, exatamente uma semana depois de ter sido morto pela polícia.
Mais cedo, Abdallah Zekri, representante do reitor da Grande Mesquita de Paris, anunciou que o corpo do extremista seria enterrado na França nas próximas 24 horas.
“Eu fui encarregado pela família de organizar o funeral nas próximas 24 horas na França, em acordo com as autoridades, porque a Argélia não quis receber o corpo de Mohamed Merah, justificando razões de segurança”, disse Zekri.
O transporte do corpo em um voo Toulouse-Argel pela Air Algérie tinha sido anunciado pela família argelina para decolar às 8h15 (horário de Brasília). Enquanto os parentes se preparavam, a transferência foi negada por Argel. Um enterro na França é considerado por muitos como a pior escolha possível.
O pai, que vive na Argélia, desejava que seu filho fosse enterrado no país de seus ancestrais. A mãe, que mora na França, teme que o túmulo de seu filho seja profanado. Outros acreditam que esta sepultura pode se tornar um local de peregrinação. Muitos muçulmanos consideram que um enterro na Argélia seria a melhor solução.
Foram estas as mesmas preocupações que fizeram com que as autoridades locais argelinas de Medea se opusessem ao enterro de Merah em sua terra: “Este homem cometeu atos terroristas, alguns poderiam transformar o túmulo em local de peregrinação e outros poderiam profaná-lo”, declarou Zekri. “A Argélia não quer se intrometer, é um cidadão francês, nascido na França, que cresceu na França”, assegurou.