08 de julho de 2026
Internacional

Contra reforma, Espanha faz greve geral

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Madri - Contra uma reforma trabalhista que barateia demissões e flexibiliza contratos de trabalho, os espanhóis fizeram ontem greve geral que parou transportes, hospitais, universidades e coleta de lixo. E fez subir novamente o risco-país da Espanha, para 36

pontos. 

 

O Ibex, principal índice da bolsa espanhola, fechou em baixa de

,88%. 

 

A paralisação generalizada foi a primeira da gestão do conservador Mariano Rajoy, que hoje completa cem dias de governo em meio a críticas de ainda não ter conseguido estabilizar o país.

 

Em Barcelona, houve confronto entre policiais e manifestantes, que atearam fogo em contêineres e atiraram pedras contra a bolsa de valores. A polícia usou balas de borracha e gás lacrimogêneo para sufocar os protestos. 

 

Em todo o país, 116 pessoas ficaram feridas e 172 foram detidas, 32 delas na capital catalã. Houve cerca de cem manifestações nas principais cidades espanholas. 

 

Segundo os dois principais sindicatos do país, UGT (União Geral dos Trabalhadores) e CCOO (Comissões Obreiras, na sigla em espanhol), a adesão à greve foi de 77% dos setores públicos e privados. Na indústria de minério, a paralisação chegou a 1

%.  Fábricas como as da Nissan, Seat, Ficosa e Valeo não funcionaram por falta de pessoal. A maioria das universidades públicas, 7

%, cancelou aulas. Entre as privadas, a adesão foi de 45%.

 

O governo minimizou o alcance do movimento e colocou em 17% a participação do setor público, não divulgando dados sobre as empresas.

 

Mas, de acordo com o próprio governo, o consumo de energia -apontado como o principal indicador da greve- registrou uma queda de 16,3% hoje. 

 

“Os efeitos dessa greve foram bem mais moderados que a do governo anterior”, declarou a diretora de Política Interior, Cristina Díaz. 

Os sindicatos calcularam em 1

,4 milhões o número de pessoas que aderiram à greve, de um total de 17 milhões convocados, quase o dobro de desempregados no país, estimados em 5 milhões. 

Os sindicatos se queixam de que não houve diálogo para o texto da reforma. 

 

“Esse governo não deveria se comportar como uma gestão tecnocrata. É um governo eleito democraticamente no ano passado”, afirmou Candido Mendes, diretor-geral do CCOO. 

 

O governo sustenta que o texto da reforma teve apoio majoritário no Congresso, onde 197 dos 35

deputados a aprovaram.

 

Afirma que o projeto, além de dinamizar a economia e garantir mais empregos, atende a exigências da União Europeia.  Ontem, a ministra de Emprego, Fátima Bañéz, disse que a reforma é “imparável”.