09 de julho de 2026
Nacional

DEM pedirá para Demóstenes sair


| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - A cúpula do DEM vai pedir ao senador Demóstenes Torres (DEM-GO) que saia do partido antes da abertura de um processo de expulsão. Integrantes do partido em Goiás foram escalados para procurar Demóstenes até segunda-feira e aconselhá-lo a deixar a legenda por conta própria, segundo a reportagem apurou.

 

Os novos documentos e gravações envolvendo o nome do senador e o empresário Carlinhos Cachoeira estão sendo considerados gravíssimos pela cúpula do DEM.

 

Os membros da legenda conversaram ontem e concluíram que a permanência do senador nos quadros da legenda ficou insustentável. Publicamente, o partido evita adotar o discurso, mas nos bastidores já trabalha pela saída do senador.

 

A pressão maior pela saída de Demóstenes parte da bancada do DEM na Câmara dos Deputados. Anteontem, um grupo de deputados chegou a convocar reunião da Executiva Nacional para discutir o caso na terça, mas o presidente da legenda, senador José Agripino (RN), decidiu cancelar.

 

A ideia de sugerir a Demóstenes a desfiliação por conta própria é evitar o desgaste de um processo de expulsão, que dependeria da ação de um filiado pedindo a abertura deste tipo de procedimento. A desfiliação partindo de Demóstenes seria um enredo parecido ao do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, que pediu para deixar o partido antes de ser expulso durante o escândalo de corrupção no Distrito Federal.

 

De acordo com as escutas, divulgadas ontem pelo jornal “O Globo”, o senador acertou com o empresário, que foi preso pela Polícia Federal, ajuda em processo judicial e em projeto de legalização de jogos de azar em tramitação no Congresso. Nas gravações, Demóstenes também fala com Cachoeira de negócios com a Infraero na época que ele era relator da CPI do Apagão Aéreo.

 

Investigações da Polícia Federal apontam que Carlinhos Cachoeira repassou informações sobre apurações contra o seu grupo ao senador Demóstenes Torres. No inquérito a que a reportagem teve acesso, o nome de Demóstenes aparece, por exemplo, num relatório da PF sobre um diálogo gravado com autorização judicial no dia 13 de março do ano passado, às 15h37.