08 de julho de 2026
Cultura

Vem sambar comigo!

Da Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Um dos mais respeitados sambistas do Brasil, Martinho José Ferreira, ou simplesmente Martinho da Vila, estará em Bauru hoje, às 19h, para show imperdível no Sesc. Em sua apresentação na cidade, o cantor e compositor vai entoar sambas de grandes mestres, como Noel Rosa e Adoniran Barbosa, além de clássicos de Tom Jobim e outros sucessos.


Martinho da Vila surgiu para o grande público no III Festival da Record, em 1967, quando concorreu com o partido alto Menina Moça, e no ano seguinte, na quarta edição do mesmo festival, lançando o clássico samba Casa de Bamba. Sua carreira de cantor profissional iniciou-se no início de 1969 quando lançou o LP intitulado Martinho da Vila, que teve grande repercussão no Brasil em execução e vendagem, com grandes sucessos como “Casa de Bamba”, “O Pequeno Burguês” e outras que se tornaram clássicos – “Quem é Do Mar Não Enjoa”, “Iaiá do Cais Dourado” e “Tom Maior”.


Logo, Martinho tornou-se um dos mais respeitados artistas brasileiros, além de um dos maiores vendedores de disco no Brasil, sendo o primeiro sambista a ultrapassar a marca de um milhão de cópias com o CD “Tá delícia, Tá gostoso” lançado em 1995.


Nacionalmente conhecido como sambista, Martinho da Vila é um legítimo representante da MPB, com várias composições gravadas do Exterior e considerado por muitos críticos como o melhor cantor do Brasil, interpretando músicas dos mais variados ritmos. 


Embora compositor indutivo e cantor sem formação acadêmica, tem uma grande ligação com a música erudita e idealizou, em parceria como Maestro Leonardo Bruno, o Concerto Negro, espetáculo sinfônico que enfoca a participação da cultura negra na música erudita. Além de compositor e cantor, é escritor autor de dez livros.


Serviço


O Sesc fica na av. Aureliano Cardia, 6-71. Informações: (14) 3235-1750

 

Como nasceu o Da Vila


Sua vida de sambista (ritmista, passista, compositor, puxador de samba enredo, presidente de ala e administrador) começou na extinta Escola de Samba Aprendizes da Boca do Mato. Ingressou e passou a dedicar-se de corpo e alma à Escola do Bairro de Noel, em 1965, e a história da Unidos de Vila Isabel se confunde com a de Martinho, que passou a seu chamado de o Da Vila. Nunca exerceu a presidência administrativa da escola, mas por várias vezes esteve à frente da agremiação da qual é o presidente de honra.

Os sambas de enredo mais consagrados da escola são de sua autoria. Também criou vários enredos para desfiles, dentre os quais Kizomba, a Festa da Raça, que está entre os mais memoráveis da história dos carnavais e garantiu para a Vila, em 1988, seu consagrado título de Campeã do Centenário da Abolição da Escravatura e colaborou em outros temas, entre os quais o Soy Loco Por Ti América, elaborado em parceria com os carnavalescos Alexandre Louzada e Alex Varela, que deu à Vila o título máximo do carnaval de 2006.

 

Filho de lavradores

 

Martinho José Ferreira nasceu em Duas Barras, Rio de Janeiro, em 12 de fevereiro de 1938. Filho de lavradores da Fazenda do Cedro Grande, veio para o Rio de Janeiro com apenas quatro anos. Quando se tornou conhecido, voltou a Duas Barras para ser homenageado pela prefeitura em uma festa, e descobriu que a fazenda onde havia nascido estava à venda. Não hesitou em comprá-la e hoje é o lugar que chama de “Meu off-Rio”.


Cidadão carioca criado na Serra dos Pretos Forros, sua primeira profissão foi como auxiliar de químico industrial, função aprendida no curso intensivo do Senai. Um pouco mais tarde, enquanto servia o exército como sargento, cursou a Escola de Instrução Especializada tornando-se escrevente e contador, profissões que abandonou em 1970, quando deu baixa para se tornar cantor profissional.


Pai de oito filhos e avô de sete netos, Martinho conservou o estado civil de solteiro até conhecer a jovem Clediomar Corrêa Liscano, que é conhecida como Cléo, e Martinho a chama de Preta Pretinha. O Da Vila sempre disse que nenhuma mulher iria levá-lo à um cartório ou a uma igreja e realmente não foi. O seu enlace com Cléo, 33 anos mais jovem, foi realizado em ato civil na sua Fazenda Cedro Grande no dia 13 de maio de 1993 e o ato religioso em uma grande festa, com a noiva de véu e grinalda, em sua propriedade denominada Fazenda do Pacau, no dia 31 do mesmo mês e ano.