O quintal é a extensão da casa que ainda resiste ao tempo, especialmente no Interior. Nas grandes cidades, em geral o quintal não passa de um corredor e muitos moradores nem sabem o que é colher uma fruta logo ali, na porta da cozinha, para saborear no café da manhã.
Espaços imensos que poderiam ser ocupados por prédios de apartamentos nas grandes cidades são utilizados para cultivo de hortas, criação de aves e até para um minipomar. Essa realidade transforma a vida das pessoas, tornando-as mais sensíveis e dedicadas.
Por amar as plantas e os animais, essas pessoas dedicam parte de seu dia para cuidar dos seres vivos, afastando-os do estresse diário e da solidão. É assim com o aposentado José Franco Sobrinho, 69 anos, morador da cidade de Iacanga (50 quilômetros de Bauru).
O quintal dele tem medidas de fazer inveja para os moradores das grandes cidades. Poderia ser ocupado por obras de grande porte, já que tem algo próximo a mil metros. Nele, seu José, como é conhecido no município de cerca de 10 mil habitantes, cultiva frutas, plantas medicinais e muitas flores e folhagens.
Mas o trabalho dele não para aí. De tudo o que colhe, ele dedica uma parte, talvez a maior, para os moradores da cidade. Todos os sábados, ele prepara inúmeras bandejas de frutas colhidas no quintal e, depois de lavá-las e colocá-las em bandejas, disponibiliza para quem passar pela rua de sua casa, no Centro da cidade.
Das flores e folhagens, ele faz mudas que também são colocadas na calçada da frente de sua casa para que cada um escolha a sua, sem qualquer custo. “A natureza me brinda com frutas e plantas em abundância. Eu divido com as demais pessoas.”
O quintal de Fumiko Okazake Miazak, 74 anos, mais conhecida como dona Amélia, não é muito diferente do pertencente ao seu José, além de também estar em Iacanga. Nele há muitos pés de mandioca, flores das mais diversas espécies, algumas verduras e folhagens.
Ela também distribui entre os iacanguenses a ‘safra’ de seu quintal. Porém, a divisão é feita de outra maneira. Como ela vende cosméticos, procura “presentear” suas clientes com mudas de plantas e frutas colhidas no quintal.
Outro que tem um espaço de mais de mil metros onde mantém árvores frutíferas de espécies diferentes é advogado iacanguense Alexandre Márcio de Souza Abdala. Na época da colheita, distribui fruta entre os familiares e vizinhos. Suas filhas, Sara e Cecília, curtem com ele, sempre no final de tarde, momentos de lazer que ele classifica como antiestressantes.
Já dona Ilda Rodrigues da Silva, 74 anos, moradora de Reginópolis (70 quilômetros de Bauru) transformou o seu quintal em uma extensão da área rural. Mantém uma horta, galinhas caipiras e faz sabão em casa. O fruto do trabalho ela vende para a população.