09 de julho de 2026
Geral

Coelho ganha novo ?lar? na Páscoa

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

O coelho é um dos símbolos da Páscoa. Por causa de sua invejável capacidade de reprodução, ele representa a fecundidade, vida em abundância. Além disso, é um animal dócil, bonito e de pelo macio, gostoso de acariciar. Isso tudo somado, faz do bichinho um presente perfeito para esta data.


As lojas comemoram, pois as vendas de coelhos chegam a duplicar na Páscoa. No entanto, o presente que parece perfeito pode se transformar num dilema de difícil solução. Isso porque o coelho não é cão nem gato, mas um animal que precisa de cuidados especiais. E nem sempre as famílias estão preparadas para cuidar de um.


Quando se dão conta disso, é um pouco tarde. E uma das consequências é o animal ser abandonado. A outra, relativamente comum, é quando o coelho convive com outros bichos e é agredido por eles, principalmente quando este outro é um cachorro.


“Animal não é brinquedo”, alerta a bióloga e presidente da Organização Não-Governamental (ONG) Naturae Vitae, Fátima Schroeder. Segundo ela, se a intenção dos pais é dar aos filhos um presente de Páscoa diferente, em vez do coelho de verdade, ela sugere que se ofereça um de pelúcia ou mesmo de chocolate.


Fátima lembra que, muitas vezes, os pais até têm boas intenções ao dar animais de presentes, pois procuram fazer com que os filhos desenvolvam senso de responsabilidade ao ter de cuidar dos bichinhos e também ajuda a criar laços de afetividade.


No entanto, nem sempre a criança se adapta à sua nova função de cuidador de animal. E acaba sobrando para os pais cuidarem, e eles nem sempre têm tempo ou paciência para isso. Diante deste cenário, o abandono do animal é uma prática comum.



Movimentação


Fátima lembra também que outro aspecto importante a ser observado é o local onde esse animal, neste caso o coelho, será mantido. De preferência, o local tem de ser fechado, mas com espaço suficiente para que o animal se movimente com facilidade, e seja tranquilo, sem muito barulho. “O coelho é muito sensível a barulho, ele se estressa muito fácil e pode até morrer por isso”, alerta a bióloga.


Então, se informar a respeito do comportamento dos coelhos é essencial para não se arrepender da compra mais tarde. “Coelho rói tudo o que encontra pela frente e está sempre cavando. Ele pode encher o quintal de buracos e até fugir por um deles”, observa.


O local também deve contar com higienização adequada. De acordo com a veterinária Maria da Conceição Pampani, é importante manter o espaço do animal sempre limpo, evitando a todo custo deixar com que ele tenha contato com as fezes e urina.



Folhas e talos


A alimentação do roedor também deve merecer atenção especial do dono. Coelho tem uma ração própria e se alimenta também de folhas, talos, legumes e frutas.


“Não é difícil cuidar de um coelho, desde que ele receba os cuidados básicos. Se tiver um alimento de boa qualidade, um alojamento apropriado e sempre limpo e uma companhia adequada, o bichinho nunca vai dar problema”, afirma.


Uma companhia adequada significa deixar os coelhos longe de cachorros. “São duas espécies que não combinam”, avisa Conceição.


A veterinária aproveita para fazer uma outra observação importante. “Tomem muito cuidado para não comprar um casal”, adverte. Com apenas quatro meses de vida, um coelho já está apto a procriar.


Cada gestação dura somente 30 dias, em média, e cada vez nascem de 4 a 12 filhotes. Assim que da à luz uma cria, as fêmeas estão prontas para outra. E a vida fértil dos coelhos dura cerca de seis anos, que é praticamente o tempo de vida deles. Ou seja, eles procriam o tempo todo e a vida toda.

 

70 em uma semana

O lojista José Luís Pedon, dono de um estabelecimento localizado no cruzamento das ruas Ezequiel Ramos e Gustavo Maciel, no Centro, confirma a grande procura de coelhos como opção de presente na Páscoa.


Segundo ele, a loja chega a comercializar cerca de 70 coelhos por semana às vésperas do feriado. É quase a mesma quantidade que leva normalmente um mês para ser vendida nas outras épocas.


De acordo com o lojista, os mais procurados são os coelhos da espécie anão, que crescem pouco. Estes saem por cerca de R$ 30,00 cada.


Os coelhos comuns, que crescem de tamanho, são mais baratos, custam cerca de R$ 10,00. Os roedores de pelos inteiramente brancos são os mais vendidos.


Silencioso



José Luís conta que os clientes apontam entre as vantagens de se ter um coelho em casa o fato do bichinho não fazer barulho, ao contrário de cães, gatos e passarinhos. Mas é comum os clientes voltarem à loja querendo devolver o coelho por não se adaptar com o animal em casa. Geralmente, a devolução é aceita.