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Acontece Botucatu |
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Nivaldo (com a cabeça encoberta) é acusado de suposto crime de extorsão |
O comando da PM expulsou da corporação o policial militar de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) Nivaldo Barbosa. Ele é acusado de suposto crime de extorsão, após ser flagrado em abril do ano passado em uma gravação “negociando” seu depoimento para beneficiar uma pessoa acusada por tráfico.
O PM ficou preso por 10 meses no Presídio Romão Gomes até conseguir um habeas corpus, que permitiu responder o processo em liberdade.
A expulsão foi divulgada no Diário Oficial do Estado do dia 31 de março. Barbosa prestava serviços no 12.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM-I). A decisão é administrativa, porque ele ainda não foi julgado no processo criminal.
Barbosa se defende e diz ter sido vítima de suposta “armação” para prejudicá-lo.
A testemunha de acusação foi Rafael Pereira da Silva, o Rafinha, conhecido nos meios policiais, que fez a gravação das imagens com uma microcâmara instalada em seu relógio de pulso.
Todo material foi encaminhado ao Ministério Público (MP), que abriu a ação e comunicou ao comando do 12.º Batalhão de Polícia Militar (BPM-I), que abriu o inquérito militar e, posteriormente, o processo administrativo.
O PM teria solicitado propina para dar depoimento favorável a pessoas presas por tráfico de entorpecentes. Os acusados por tráfico, a quem Nivaldo, supostamente, deporia a favor, foram presos em 3 de julho de 2010, numa megaoperação desencadeada pela PM, na rua Ivete Camargo Veiga, na Vila Antártica, onde 16 pessoas foram autuadas por tráfico de entorpecentes.
Nessa casa foram apreendidos 244 porções de maconha, seis cápsulas de cocaína, nove papelotes de cocaína, quatro pedras de crack, além de R$ 482,00 em notas, R$ 23,40 em moedas e seis aparelhos de telefones celulares.
O policial Barbosa chegou até a ser homenageado pela PM, no dia 28 de setembro de 2010, por ter participado da prisão de toda a quadrilha. Posteriormente, ele passou, segundo o denunciante, a “negociar” o depoimento na Justiça para favorecer os envolvidos caso recebesse dinheiro.
Advogado diz que não há prova da extorsão
O advogado Evandro Rizzo, que atua na defesa do PM Nivaldo Barbosa, declarou ontem que vai entrar com “pedido de reconsideração” contra a decisão da PM, que expulsou o policial da corporação.
“É uma espécie de recurso na Casa Civil do governo do Estado, mas, se for mantida a expulsão, vamos recorrer à esfera judicial para contestar a decisão e ajuizar uma ação de reintegração de posse na Fazenda Pública em São Paulo”, disse o advogado.
Rizzo explicou que o processo criminal ainda está na fase de instrução. “A formação da culpa por extorsão só pode ser feita no Judiciário. Fizemos um pedido à PM para suspender o processo administrativo até meu cliente ser julgado na Justiça, mas não analisaram”, declara.
O Comando da PM entendeu que o policial violou os princípios da moral e dos bons costumes por isso decidiu pela exoneração do cargo.
O advogado afirma que, na gravação apresentada ao MP, não houve prova da extorsão. “No inquérito administrativo ficou demonstrado que não foi gravado o momento em que foi dado o dinheiro. Extorsão é forçar a pessoa para que conceda algo mediante paga. Não houve prova do policial recebendo ou guardando dinheiro. Na investigação preliminar não vislumbrou isso”, declara.
O JCnet não conseguiu localizar ontem Rafael Pereira da Silva, que denunciou a suposta extorsão, para comentar a denúncia do advogado do policial.