Bogotá - As Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) entregaram ontem a uma missão humanitária seis policiais e quatro militares sequestrados há mais de dez anos, que seriam os últimos reféns políticos da guerrilha.
O grupo foi recebido por familiares no aeroporto de Villavicencio. Desembarcaram fazendo sinais de vitória e acompanhados por médicos.
“Aterrissa a esperança, aterrissam vivos, livres e agora vamos pela paz!”, escreveu, em sua conta no Twitter, a ex-senadora Piedad Córdoba, da ONG Colombianos e Colombianas pela Paz, que negociou as liberações.
Segundo a Cruz Vermelha, que coordenou a operação que levou mais de sete horas, os reféns foram entregues em uma zona rural do sudeste colombiano. A missão utilizou um dos dois helicópteros cedidos pelo Brasil, operado por militares brasileiros.
“Hoje termina a agonia para estas famílias e isso nos enche de satisfação”, disse o chefe da delegação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha na Colômbia, Jordi Raich, em um comunicado.
A operação iniciada na sexta-feira - quando as aeronaves brasileiras partiram de Manaus (AM) - esteve prestes a ser cancelada por conta do mau tempo. Em fevereiro, as Farc anunciaram o fim do sequestros de civis e a libertação do grupo entregue hoje e relançaram ao governo oferta para retomar as negociações. A proposta, contudo, foi recebida com cautela pelo presidente Juan Manuel Santos , que tem repetido que o fim dos sequestros é um “passo importante” para iniciar as conversas com a guerrilha, mas não suficiente.
O governo exige que a guerrilha mais antiga do continente, ativa desde os anos 6
, abandone as armas e renuncie ao recrutamento de menores e ao narcotráfico.
Mesmo debilitadas, as Farc resistem aceitar as condições. Com efetivo reduzido pela metade - estima-se que sejam 9.
homens -, tem optado por planejar atentados contra forças de segurança.
Com as liberações de ontem ativistas dizem que a meta agora é trabalhar para que um número indefinido de reféns civis que ainda está em poder da guerrilha não seja esquecido.
“Não podemos esquecer que ainda há centenas de pessoas cativas que o grupo deve liberar se realmente pretende que a sociedade colombiana confie em seu anúncio de abandonar o sequestro como arma de guerra”, diz Olga Gómez, diretora da ONG Fundação País Livre.