08 de julho de 2026
Regional

Família questiona morte de bebê

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Duartina – Familiares de uma mulher de Avaí que estava no sétimo mês de gestação questionam o atendimento prestado a ela pelo hospital de Duartina (38 quilômetros de Bauru). Eles alegam que, mesmo reclamando de fortes dores na região abdominal, a gestante foi medicada e liberada. Poucas horas depois, ela deu entrada na Maternidade Santa Isabel, em Bauru, mas o bebê já estava morto. O hospital de Duartina diz que ela só teve alta com seu quadro de saúde estabilizado.

 

Sílvia Lipu, 34 anos, é casada, tem uma filha de 15 anos e mora na aldeia indígena Kopenoti, na zona rural da cidade. De acordo com uma familiar dela, que pediu para que seu nome não fosse divulgado, ela estava ansiosa pelo nascimento do primeiro filho homem. No sábado passado, dia 31, Sílvia sentiu-se mal e, por volta do meio-dia, foi levada ao Pronto-Socorro (PS) do Hospital Santa Luzia, em Duartina.

 

“Ela estava com dores, contração, e com a pressão um pouco alta. Ela foi avaliada e falaram que ela tinha que ficar em observação para aguardar o parto porque estava com dilatação”, conta. “Eu me assustei quando me ligaram à meia-noite falando que tinham dado alta para a paciente. Eles só falaram que ela estava tendo alta porque era para encaminhar para a maternidade no dia seguinte”.

 

A familiar revela que, preocupada com a liberação da gestante, que ainda reclamava de dor, pediu para que a ambulância da prefeitura de Avaí a levasse até a Maternidade Santa Isabel, em Bauru. Ela deu entrada no hospital por volta das 2h e, ao realizar exame de ultrassom, funcionários da unidade constataram que o bebê já estava morto. “Eu ouvi os batimentos cardíacos (do bebê) quando ela chegou em Duartina”, afirma.

 

A mulher acredita que o bebê tenha morrido por volta das 19h do sábado, no hospital de Duartina, horário a partir do qual Sílvia relatou não ter sentido mais o filho se mexer. Na opinião dela, se a gestante tivesse sido submetida a um parto de emergência, a criança poderia ter sido salva. “Se ela chegou entre meio-dia e 13h, era para ter feito alguma coisa”, diz. A criança foi velada ontem na aldeia Kopenoti e enterrada no final da tarde.

 

Até o fechamento desta edição, de acordo com a assessoria de imprensa da Maternidade Santa Isabel, Sílvia permanecia internada na unidade e seu estado de saúde era estável. O hospital declarou que não poderia fornecer informações sobre a causa da morte do bebê e limitou-se a dizer que o ultrassom realizado constatou que a criança já estava morta. Segundo a família, que também não soube informar a causa da morte do bebê, ele nasceu de parto normal.

 

 

 

O outro lado

 

Luis Alberto Contrera Bergamo, médico ginecologista e obstetra que atendeu Sílvia Lipu no último sábado, no Hospital Santa Luzia, em Duartina, nega que ela estivesse em trabalho de parto e afirma que a paciente só foi liberada após ter sua pressão – que chegou em níveis inadequados para uma gestante – estabilizada. “Ela foi medicada, ficou em observação e foi liberada por estar com sete meses e estar tudo controlado”, explica.

 

Segundo ele, há cerca de dez dias, ela chegou a ficar internada por dois dias em razão de uma pré-eclâmpsia (elevação da pressão arterial durante a gestação). Na ocasião, o médico receitou o uso de medicamentos para controlar a pressão, que não estariam sendo utilizados pela gestante. “Ela mesmo disse que não estava tomando a medicação, inclusive prescrita por mim em dias anteriores”, conta. 

 

Antes de liberar a gestante, Bergamo conta que a orientou a procurar na segunda-feira (ontem) o médico que realiza o seu acompanhamento para solicitar encaminhamento para um pré-natal de alto risco na Maternidade Santa Isabel. “Eu liberei essa paciente com pressão boa, com batimento fetal bom e fora de trabalho de parto”, declara. “Quanto a ela ter tido um óbito fetal, aí eu já não posso esclarecer em quais condições aconteceu, como aconteceu. Precisaríamos saber a causa (da morte)”.