09 de julho de 2026
Política

Eclair sai e PSDB fica perto de Chiara

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 7 min

Um passo importante foi dado ontem para a definição do cenário eleitoral de 2

12 em Bauru. Após um fim de semana de muito suspense, com tucanos em silêncio e seus telefones celulares desligados, o PSDB confirmou ontem abrir mão de candidatura própria à prefeitura de Bauru. Com a decisão, o ex-comandante da Polícia Militar (PM) Elizeu Eclair sai de cena e abre espaço para o partido formalizar apoio a Chiara Ranieri (DEM).

 

No mesmo dia em que Eclair desiste da disputa eleitoral, o coronel Pedro Batista Lamoso, que já atuou na PM de Bauru, assume o comando geral da instituição no Estado. O mesmo cargo já foi ocupado pelo tucano. (Leia mais na página 5)

 

Oficialmente, os tucanos definiram que vão trabalhar para a viabilização de uma candidatura única de oposição, tentando atrair para o grupo o PV, PPS e PTB. No entanto, os três partidos teriam que compor a chapa como coadjuvantes, já que a vereadora e pré-candidata garante que não cede a cabeça da coligação e o PSDB, por sua vez, não aceitaria nada diferente do que o posto de vice de Chiara.

 

A aliança total entre a oposição era uma bandeira antiga do presidente Marcelo Borges (PSDB). Nos bastidores, o tucano sempre tratou Chiara como sua pré-candidata. No entanto, nenhum posicionamento oficial era externado em razão da pré-candidatura de Eclair, nome apoiado pelo deputado estadual Pedro Tobias (PSDB), que preside a sigla no Estado de São Paulo e levantou a bandeira de candidaturas próprias do partido em todos os municípios.

 

Após muitos cafezinhos, articulações e conversas, o então pré-candidato pelo PSDB anunciou ontem que sairia da disputa por decisão do partido, que reuniu sua cúpula no último domingo para definir o posicionamento, que já era esperado nos bastidores políticos e cobrado publicamente por Chiara Ranieri.

 

Em entrevista ao Jornal da Cidade, Eclair já havia declarado que, diferentemente dos outros pré-candidatos de oposição, ele representava um projeto partidário e não pessoal. No entanto, a decisão dos tucanos tem, claramente, caráter estratégico diante da dificuldade em encontrar um nome de apelo eleitoral e disposto a concorrer com o bem contado Rodrigo Agostinho (PMDB).

 

Além disso, pesou também outro fator importante na campanha eleitoral: o tempo de televisão. Com pouco mais de dois minutos disponíveis, os tucanos ganham mais um minuto e meio na aliança com o DEM. A expectativa em ampliar a coligação com outras legendas se dá também nesse sentido, afinal qualquer segundo a mais é bem vindo para enfrentar os mais de sete minutos aos quais tem direito a ampla base de Agostinho, graças ao vasto tempo de partidos como PMDB, PT e PR.

 

 

 

E o vice?

 

Apesar de Chiara e Marcelo sustentarem o discurso de que precisam aumentar o leque de partidos na futura coligação, nem a vereadora nem o PSDB dispensam a cabeça e o vice da chapa. Segundo Borges, seria ‘idiota’ pensar em qualquer cenário diferente disso, em razão do peso político do PSDB.

 

O vereador, aliás, é o nome mais cotado para ser vice da vereadora. Mas o tucano ainda despista quando esse é o assunto. Ele, que diz cogitar abandonar a vida pública já para as eleições deste ano, só responde que não há definições para o posto e ainda brincou com a possibilidade de os tucanos realizarem prévias para a escolha do vice de Chiara.

 

Enquanto não há outras definições, Ranieri e Borges já combinavam, ao fim da sessão legislativa de ontem, possível data para a realização de uma reunião entre as duas legendas para formalizar a aliança. A expectativa é de que o encontro aconteça no próximo dia 14, quando está prevista a realização de um encontro regional, com a participação de lideranças nacionais e estaduais do DEM. Chiara não esconde o desejo de que os tucanos participem da reunião e ela conta ainda com a participação do deputado Pedro Tobias.

 

Fernando Mantovani (PSDB), que dizia não poder se pronunciar sobre os rumos eleitorais dos tucanos, disse em entrevista à TV Câmara ontem que a posição do partido mostra o momento de maturidade dos tucanos.

 

 

 

Fator Gazzetta

 

Se a desistência de Eclair e o consequente apoio dos tucanos a Chiara Ranieri não geraram muitas surpresas, o futuro político de Clodoaldo Gazzetta (PV) continua no centro das conversas de bastidores. Oficialmente, o pré-candidato afirma que, por ora, sua participação no pleito está mantida. “Não tem como ser diferente. Somos uma terceira via, mas podemos configurar com uma segunda força nessas eleições”, pontuou.

 

No entanto, outras declarações do verde colocam essa ‘certeza’ em dúvida. No final de semana, Gazzetta respondeu ao Jornal da Cidade que não descartaria ser vice de Chiara. Além disso, o pré-candidato já afirmara anteriormente que desistiria da disputa caso PSDB e DEM se coligassem já em primeiro turno. Essa posição, aliás, teria sido reiterado por ele em encontros políticos.

 

Não parece, porém, ser da oposição de quem o PV está mais certo. O anúncio de coligação com o pequeno PSD, que tem o pai do prefeito Rodrigo Agostinho como de seus aliados, foi recebido como um sinal de que o partido estaria próximo de se juntar ao governo visando às eleições. A partir disso, abrem-se margens para uma série de especulações. Entre elas, o desejo dos verdes em indicar o vice de Rodrigo e até mesmo o lançamento de Gazzetta à Câmara Municipal, a fim de fortalecer a bancada do partido.

 

Na verdade, o fator Gazzetta se torna o principal ponto para clarear o cenário eleitoral bauruense. No mais, o pré-candidato diz não entender e nega todas as especulações em torno do seu nome, mas pondera que essas estratégias podem ter como objetivo tornar o PV um mero coadjuvante no processo.

 

 

 

Chiara aposta em comando do PPS

 

Antes aliado incondicional do PV, o PPS parece estar cada vez mais próximo do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB). O próprio presidente Arnaldo Ribeiro confirmou a possibilidade no fim da semana passada e esse é o claro desejo do vereador Moisés Rossi (PPS), que votou ontem junto com a base em projetos que dividiam situação e oposição.

 

Além disso, o parlamentar passou o telefone do presidente municipal do partido ao vereador Fabiano Mariano, que comanda o PDT em Bauru. As conversas giravam em torno de uma possível coligação proporcional entre o partido de Rossi e o do colega, que ajuda a sustentar o governo. 

 

O PPS sofre ainda da ‘mágoa de caboclo’. Na semana passada, Ribeiro reclamou por não ter sido avisado de uma reunião entre os então pré-candidatos de PSDB, DEM e PV. O caso, aliás, virou motivo da chacota nos bastidores pelo comportamento partidário sentimental. Ontem, no entanto, foi a vez de Rossi ficar chateado por não ter sido chamado por Chiara a uma conversa com os parlamentares do DEM e PSDB.

 

Muitos entendem as recentes reações do PPS como a exteriorização de um pretexto para que o partido rumasse à base governista. No entanto, DEM e PSDB não desistiram de compor com a sigla.

 

Chiara Ranieri (DEM) acredita na influência do deputado federal Arnaldo Jardim (PPS) sobre o diretório municipal do partido. O parlamentar é ligado às principais lideranças de oposição ao governo federal e poderá intervir a favor da reprodução do grupo no cenário bauruense. A situação poderia agradar Amarildo de Oliveira (PPS), um dos mais ávidos críticos de Rodrigo Agostinho, que já declarou, inclusive, que subirá no palanque de Chiara Ranieri. O vereador, porém, não participou da sessão legislativa de ontem. Sua assessoria informou que ele estava doente. No entanto, alguns colegas comentaram que ele apresentou seu programa de televisão normalmente na hora do almoço.

 

 

 

Mais articulação

 

Com a notória inclinação do PSDB em apoiar Chiara Ranieri (DEM), caberá aos tucanos levar junto o PTB de Ricardo Oliveira. No entanto, o dirigente partidário que negociava indicar o empresário Toninho Gimenez como o vice de Elizeu Eclair, não se mostra muito simpático à ideia e já cogita inclusive apoiar o governo, com o qual romper após deixar a Secretaria Municipal das Administrações Regionais (Sear), em 2

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“Eu sei que hoje não tenho o apoio do PTB, mas vamos trabalhar para isso porque é um partido importante para nós”, afirmou a pré-candidata, dizendo também que o colega José Roberto Segalla (DEM) mantém boas relações com Oliveira e deve intervir.