10 de julho de 2026
Nacional

Aprovação de Dilma resiste e sobe em meio à turbulência política

Reuters
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - A aprovação pessoal da presidente Dilma Rousseff subiu para seu patamar mais elevado desde que ela assumiu o cargo apesar do cenário econômico não tão favorável e uma situação política mais conturbada do que se esperava no início do governo, mostrou ontem pesquisa CNI/Ibope (veja quadro).


Ao mesmo tempo, a avaliação positiva do governo se manteve no mesmo patamar da última sondagem, realizada em dezembro, mas bem inferior à da presidente.


Segundo o levantamento, a aprovação pessoal de Dilma passou para 77% em março, ante 72% em dezembro, enquanto a avaliação positiva do governo se manteve em 56%. Trinta e quatro por cento veem o governo como regular, contra 32% na sondagem anterior, e 8% o classificam como péssimo ou ruim, ante 9%.


“O governo tem alguns problemas. Isso causa certo desconforto, principalmente em situações específicas, como impostos, segurança e saúde”, analisou o gerente executivo de políticas econômicas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flavio Castelo Branco. “Mas a figura da presidente ela conseguiu dissociar e ganhar alguns pontos em relação a avaliação do governo”, acrescentou.


Para ele, as substituições de ministros e a postura mais dura nas negociações com o Congresso - que tem complicado a relação com a base aliada - têm impacto positivo para Dilma na população.


“A postura política num sistema presidencialista como o nosso, demonstrando que tem comando da situação, se transforma em avaliação positiva”, analisou. Para ele, a presidente conseguiu inclusive capitalizar as trocas de ministros envolvidos em denúncias de irregularidades que foram substituídos.


O executivo da CNI lembrou, porém, que há limites para essa postura intransigente, já que o sistema político brasileiro “funciona na base da concentração” entre os poderes.


Para Castelo Branco, Dilma está perdendo uma boa oportunidade para promover mudanças mais profundas na economia, um vez que seu capital político está aumentando. Além da melhora na aprovação pessoal, aumentou também a confiança da população na presidente.


Segundo a pesquisa, a parcela dos que confiam em Dilma subiu para 72%, ante 68%, enquanto a dos que não  confiam passou para 24%, ante 26%.


Outro dado positivo para Dilma, considerando os índices recordes do seu antecessor e padrinho político, para 60%, o governo Dilma é igual ao do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para 15%, o atual governo é melhor, enquanto 23% acreditam ser pior.

 

De olho na economia


Brasília - Apesar dos atuais problemas econômicos, segundo a CNI, a população ainda não sente os impactos disso no emprego e na renda, o que colabora para uma avaliação positiva constante do governo e da presidente.


“As dificuldades que temos no setor industrial ainda não se manifestaram no mercado de trabalho como um todo. Embora de dezembro pra cá, do ponto de vista da economia, as dificuldades possam ter se acentuado, essa percepção com certeza está distante”, avaliou Castelo Branco.


Para ele, se a situação econômica não se deteriorar, a tendência é que o governo e a presidente continuem bem avaliados no longo prazo.


Olhando as nove áreas pesquisadas, a avaliação do governo melhorou ou se manteve estável em todas. Ainda assim, em saúde, segurança pública, combate à inflação, taxa de juros e impostos, a maioria da população desaprova as ações e políticas do governo, com destaque para a última, que é desaprovada por 65%.


O Ibope ouviu 2.002 pessoas em 142 municípios entre os dias 16 e 19 de março. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais.