Brasília - O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) defendeu ontem a atuação da Polícia Federal na Operação Monte Carlo, que levou à prisão o empresário Carlos Cachoeira, suspeito de explorar jogos ilegais no País. Cardozo disse que a PF cumpriu “rigorosamente o seu papel” uma vez que os fatos são colocados “sob a luz do sol” nos autos do inquérito.
“Caberá agora ver como os tribunais apreciarão esses fatos. Da parte da PF posso afirmar que decisões judiciais foram cumpridas rigorosamente e os fatos estão sob luz do sol e o judiciário agora decide”, afirmou.
A defesa do senador Demóstenes Torres (ex-DEM), suspeito de beneficiar Cachoeira, vai tentar anular no Supremo Tribunal Federal (STF) as provas recolhidas pela Polícia Federal contra o parlamentar.
O advogado Carlos de Almeida Castro, o Kakay, argumenta que a PF e o Ministério Público desrespeitaram o foro privilegiado de Demóstenes ao permitir que o inquérito, originalmente voltado a Cachoeira, não migrasse de Goiás para o STF quando gravações telefônicas apontaram o suposto envolvimento do senador. Além disso, segundo o advogado, Demóstenes não poderia ter sido gravado sem o aval do Supremo.
Cardozo disse que os argumentos de Kakay são esperados por defender “um dos réus”. O ministro criticou o vazamento de informações da Operação Monte Carlo, mas negou que a Polícia Federal tenha repassado informações sigilosas.
“Acho muito ruim que informações vazem, garanto que não vazaram da Polícia Federal. A partir do momento que você tem o processo podendo ser acessado por dezenas de advogados, dezenas de pessoas, é óbvio que é impossível controlar esse tipo de informação. Apenas eu garanto que não houve vazamento nenhum da Polícia Federal.”