08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Cala a boca, Bárbara!


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Depois de advogado formado pela PUC/Goiânia, de promotor de Justiça aprovado por concurso do Ministério Público goiano e posteriormente Procurador Geral de Justiça de Goiás e além de secretário de Segurança Pública do seu Estado natal; depois, ainda, de senador da República desde 2002, exercendo a relevante função de líder do DEM, tendo sido também candidato ao governo de Goiás em 2006 e hoje em dia como um bisonho, - que ele não é - renunciante da presidência da Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ) e de líder do seu partido, que ele acaba de manchar indelevelmente, o senador Demóstenes Torres transmudou-se, como um lobisomen, em um relés judas da sofrida democracia brasileira. Chego até a pressupor que, como o lobo sob pele de cordeiro, enquanto exercia os importantes cargos por que passou, traidor e pífi o ele sempre foi. Em outras palavras, com seus últimos atos e procederes, ele nos dá condições de assim pressupor. Convenhamos que ninguém - a não ser os lobisomens - sofre tamanha transformação da noite para o dia. É triste, muito triste, fazer chegar ao ainda senador esta mensagem: "fi nis coronat opus" (é o fi m - ou término - que coroa uma obra/vida). Entretanto, há males que vêm para bem: louve- se, aqui, a atitude do DEM e do senador José Agripino Maia, seu presidente, que a "toute force" e após confi rmação das acusações a seu fi liado, já apressava-se a declarar a expulsão de Torres que, antecipando-se ao ato, renunciou ao seu cargo na CCJ e à sua fi liação ao partido. Bastante diferente, em todos os sentidos, dos exemplos e procedimentos de Lula, Dilma, do PT e de todo o ministério desse governo descarado que, embora nauseados, temos que suportar. Somente do vergonhoso caso do mensalão, 40 meliantes já declarados réus pelo STF nada sofreram e, pressinto, não sofrerão. Até quando?! Respondo, sim: até quando nós também (e principalmente nós) criarmos vergonha na cara! Se eu vier a merecer a desonra da leitura do senador, tenho uma pergunta a lhe fazer! Ei-la: como o cidadão Demóstenes Torres vai enfrentar sua família, seus ex-colegas do MP, seus eleitores e o que lhe resta de vida? Como um zumbi? Como um... lobisomen? Ou como se nada houvesse ocorrido? Relembrando Chico Buarque de Holanda, em Calabar, escapa-me da boca o mote: "Cala a boca, olha o frio... Cala a boca, Bárbara!"


João Guilherme Ortolan