10 de julho de 2026
Geral

Jovem conquista vaga em três universidades nos EUA

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 4 min

Éder Azevedo

Augusto Ghiotto, 18 anos, que vai fazer graduação no Exterior

Ele tem apenas 18 anos e é recém-formado no ensino médio em Bauru. Após passar em três das melhores instituições de ensino superior brasileiras com excelentes classificações, escolheu cursar física na Universidade de São Paulo (USP). Mas, a partir do segundo semestre, o jovem interiorano deixará tudo para viver nos Estados Unidos e estudar em uma das melhores universidades do mundo: a Columbia University, em Nova York.

O nome deste brilhante aluno é Augusto Ghiotto, que com humildade contou suas ambições ao JC. Nascido na pacata Pirajuí, ele já estudou em escola pública e vive em Bauru desde os 8 anos. Além de passar no curso de física em primeiro lugar na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), quarto lugar na Unicamp e nono lugar na USP, ele foi além e conquistou vaga também em três instituições norte-americanas. Além da Columbia University, o garoto também foi aceito para estudar na Cornell University e Jonhs Hopkins, ambas nos Estados Unidos.

Na Columbia University, onde Augusto pretende estudar, foram 2 mil classificados entre 32 mil candidatos. Mesmo sendo brasileiro, ele foi aprovado com louvor, tanto que recebeu até carta de honra da instituição. “Recebe honra quem se destacou na admissão, e são poucos”, enfatiza.

A Columbia University está entre as dez melhores universidades do mundo para se estudar. “Desde os 13 anos eu queria ir para o Exterior. Inicialmente, o desejo era ir para a Inglaterra cursar graduação, mas pesquisando, percebi que os EUA era um país mais aberto para estrangeiros”, diz ele, que teve a Internet como importante ferramenta para suas pesquisas. O inglês fluente também ajudou.

Além de viver em uma das cidades mais importantes do globo, o garoto de 18 anos vai ter o auxílio de uma bolsa de estudos, que vai garantir despesas com moradia, alimentação e material estudantil.


Sem estresse


O “gênio” conta que toda essa conquista veio sem cursinho pré-vestibular, sem estresse com os estudos e sem precisar ser tachado de “nerd” pelos colegas. Diferente de muitos estudantes que passam por essa fase, o garoto relata que não precisou se distanciar dos amigos e da vida social para conquistar a tão sonhada graduação no Exterior.

“Geralmente, esses alunos que têm o perfil do Augusto se isolam, são chamados de ‘nerds’. Além de ser uma pessoa maravilhosa, o Augusto sempre foi o melhor aluno da sala, sempre gabaritou as provas. E, diante toda essa dedicação, ele não deixou de ter vida social, sempre esteve rodeado por muitos amigos”, afirma a professora de inglês Wania Cosso, que acompanhou Augusto durante as aulas no colégio Uniesp, antigo Fênix de Bauru, onde Augusto estuda desde a 6ª série, quando tinha 12 anos. Antes, foi aluno de escola pública, quando morou em Presidente Alves.

“O ano passado inteiro me dediquei ao processo de fazer as provas necessárias, preencher formulários, elaborar as cartas de recomendação de professores, entre outros documentos. O processo seletivo para faculdades dos EUA é bem diferente daqui. Eles levam em conta o perfil do aluno”, relata Augusto, que deve partir para estudar fora no segundo semestre, já que as aulas começam no final do mês de agosto.

“O primeiro ano é básico, terei aula de filosofia, literatura, ciências básicas e esportes. Depois, poderei escolher a carreira que quero seguir”. Augusto incentiva outros jovens que também sonham em estudar no Exterior. “Há boas oportunidades para quem quer estudar fora. E não precisa estar somente em grandes cidades para obter informação, quem está no Interior tem a mesma chance”, frisa.

 

Mas qual é o segredo?

O que todos querem saber de Augusto Ghiotto: qual o segredo para tanto sucesso? Sem dar nenhuma fórmula, ele diz que “sempre teve prazer em estudar”.

A dedicação dele passa longe de uma rotina pesada, como a de se trancar no quarto em meio a apostilas e livros após as aulas. Dono de um gosto refinado por artes e cultura em geral, ele diz que não se prendia somente ao conteúdo ensinado na sala de aula.

“É importantíssimo aprofundar o que se aprende em sala de aula, pois muitas vezes o que aprendemos acaba ficando na superficialidade. Você tem um amadurecimento pessoal e cultural quando você vai além”, indica.

Apesar de gostar do mundo da física, a apreciação por artes, música e filmes da linha “cult” sempre fez parte da rotina de Augusto. Mas a referência para isso, conta ele, sempre esteve bem próxima.

“Meu pai foi uma influência muito forte para minha formação. Ele também tem paixão por artes em geral, como pintura, poesia, música. E desde pequeno eu conversava com ele sobre isso”, alega o jovem. A professora Wania está de prova. “Eu encontrava com o Augusto no Sesc e lá estava ele, ouvindo música erudita”.