O lírio, símbolo da paz e exemplo de pureza, criado por Deus em beleza e perfeição, citado no Sermão da Montanha pelos vocativos: Olhai as aves dos céus! Olhai os lírios dos campos! Mensagem que nos leva a comparar as aves com a liberdade de ser e os lírios com a paz no coração dos homens. Porém, o que incrédulos assistimos? Um trotar de animais irracionais enfurecidos, bando de desequilibrados que se dizem estudantes e na verdade nada mais são que vândalos acobertados pelo cognome de universitários.
Selvagens que recebem os novos colegas com humilhação e morte. Inconsequentes, sem o mínimo de amor ao próximo, tais e quais abutres esfomeados aguardam as presas, jovens a transbordar em alegrias por ter realizado um sonho: adentrar os portões da universidade! Que espécie de prazer pode resultar em agredir o colega até a morte? Qual o sentimento que leva a mortificar o outro, a ponto de tirar-lhe a vida? É triste para uma sociedade que se diz moderna, tecnologicamente equipada, receber notícias de crimes que superam a barbárie. Qual o motivo da petrificação da alma desses jovens que, infelizmente, serão os profissionais de amanhã? Como salvarão vidas, defenderão a Justiça, protegerão as crianças, os idosos, a natureza, a fauna e a flora, se não possuem o mínimo de sensibilidade e amor ao próximo? Tantos jovens sonham em cursar a faculdade e não são premiados com a sonhada vaga, enquanto muitos laureados com tal oportunidade não sabem fazer uso dela.
O trote de calouros já deveria estar banido de nosso País. Porém, os responsáveis pela ordem, educação e disciplina restam sobre o muro da omissão, a pensar que o símbolo da Justiça traz os olhos vendados para nada ver. Enquanto isso, jovens que acreditam na dignidade, na força de vontade, são vistos como maioria amedrontada. Certo é que os irresponsáveis e desequilibrados se unem, pois, acobertados pela covardia, precisam uns dos outros para criar a força e a coragem que sozinhos não têm. E a tribo, onde a barbárie é o objetivo maior, sai em busca de vítimas para agredir e matar. Famílias sofrerão, muitos ficarão abismados, lágrimas tornarão a rolar. Qual o objetivo educacional das universidades, se de onde deveria nascer a luz, o conhecimento, a razão, o direito, o respeito e a qualidade de vida, nasce o ódio, o desequilíbrio, a insensibilidade e o desamor? A universidade deveria ser o solo fértil de onde abrolhassem seres humanos lapidados, sem jaça, cujo resultado maior seria o bem comum. Porém, inútil semear lírios onde há trotar de cavalos. Os lírios, certamente serão pisoteados!
A autora, Valderez de Mello, é psicopedagoga, pedagoga e advogada. Autora do livro "Flores sobre o Rochedo". valdemello@gmail.com