08 de julho de 2026
Internacional

Confrontos matam 110 na Síria

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Damasco - Subiu para pelo menos 110 o número de mortos em confrontos entre oposição e tropas do regime na Síria ontem, de acordo com o grupo opositor Comitês de Coordenação Local. Os confrontos aconteceram mesmo com a presença de observadores da Organização das Nações Unidas (ONU) no país.

Os rebeldes confirmaram 41 mortes na localidade de Latmaneh, na província central de Hama, um dos maiores centros rebeldes, em uma ação das forças do governo do ditador Bashar al Assad. Os comitês afirmam que o Exército cercou Latmaneh ao amanhecer e bombardeou a região de forma indiscriminada.

O grupo afirma que muitos prédios ruíram após a ofensiva e moradores ficaram soterrados nos escombros das construções. Depois do bombardeio, os soldados invadiram a localidade e atiraram indiscriminadamente. Outras 16 pessoas morreram em localidades da província.

Na província de Homs, outro centro de concentração dos opositores, pelo menos 25 pessoas morreram, a maioria no município de Deir Baalbeh. O grupo ainda confirmou 13 óbitos em Aleppo, no norte do país, 13 em Idlib, um em Deraa e outro em Duma, na periferia de Damasco.

Mais cedo, o Observartório Sírio de Direitos Humanos, sediado no Reino Unido, confirmou a morte de 80 pessoas em todo o país. Os números não podem ser confirmados por fontes independentes devido às restrições impostas pelo governo sírio a jornalistas e ativistas internacionais.

Apesar das mortes informadas pelos opositores, a televisão estatal síria mostrou ontem as comemorações do partido Baas, do ditador Bashar al Assad, que completa 65 anos de existência.

A emissora mostrou imagens de milhares de pessoas com bandeiras no centro de Damasco. Também foram registrados eventos em Idlib, Deraa e Tartus.

De acordo com a agência de notícias Sana, os manifestantes “expressaram a determinação do povo, o Exército e a liderança síria ante a conspiração tramada contra o país”.

O partido foi criado em 1947, com uma ideologia socialista pan-árabe, e é presidido pela família Assad desde 1970, primeiro por Hafez al Assad e depois por Bashar al Assad. A agremiação é a única autorizada no país desde 1960.

Os Estados Unidos revelaram anteontem imagens de satélite que mostram o avanço da artilharia síria em regiões residenciais do país, dando sinais de que Assad não preparou ainda a retirada de tropas exigida pelo enviado especial ao país, Kofi Annan, que deverá acontecer até a próxima terça-feira.

O embaixador americano em Damasco, Robert Ford, postou as imagens na rede social Facebook, como um esforço para pressionar o ditador.

Anteontem, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, condenou os ataques na Síria, afirmando que são uma “violação” das exigências do Conselho de Segurança da ONU.

De acordo com as Nações Unidas, mais de 9 mil pessoas morreram em um ano de repressão do regime aos opositores. Os ativistas afirmam que o número de vítimas supera 10 mil.