08 de julho de 2026
Cultura

Cem anos, sô!


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Amácio Mazzaropi (1912-1981), que marcou o cinema brasileiro com a figura do Jeca Tatu, completaria 100 anos amanhã. Para comemorar o seu centenário, foram montadas mostras de cinema em São Paulo e eventos em Taubaté, cidade onde o artista viveu a maior parte de sua vida.

A partir de amanhã, a Cinemateca exibe 12 longas que marcaram a trajetória do artista paulistano. “A partir do nosso acervo, selecionamos os títulos mais importantes, como “Sai da Frente”, o primeiro longa do comediante, em que já aparece a figura do caipira, o personagem Candinho, que evoluiria para o Jeca Tatu”, conta Rafael Carvalho, programador da Cinemateca.

Mazzaropi começou sua carreira no rádio, passou pela televisão, mas, depois do primeiro filme, em 1950, não saiu mais do cinema (leia mais sobre sua carreira em quadro). Chegou até a criar a sua própria produtora, a Pam Filmes, em 1958, que teve início com o filme “Chofer de Praça”. “Todo o dinheiro que ele recebia gastava com equipamentos e produção. Ele queria criar uma indústria do cinema no Brasil”, conta Soleni Fressato, autora do livro “Caipira Sim, Trouxa Não”, que fala sobre a importância do trabalho do artista e do seu personagem.

Massacrado pela crítica na época, Mazzaropi é sucesso de público até hoje. “Na época do lançamento dos filmes, havia quarteirões de fila. O próprio Mazzaropi disse que seu talento só seria valorizado depois de sua morte. E foi exatamente o que ocorreu”, afirma Soleni.

Museu terá shows e filmes

O Museu Mazzaropi, de Taubaté, prepara uma série de homenagens ao centenário do comediante, que ocorrerá a partir de amanhã na cidade onde o artista viveu grande parte da vida. Além de exibições dos principais filmes de sua carreira como ator e produtor, todas gratuitas, haverá shows com os filhos de Elpídio dos Santos, responsável pelas trilhas sonoras dos filmes de Mazzaropi. A partir do dia 10, é a vez do teatro, com apresentações diárias do espetáculo “Mazzaropi Para Mais Cem Anos”. Para conferir a programação completa, acesse www.centenariomazzaropi.com.br.

Filmes tinham encontro marcado com público


Desde o primeiro sucesso na Vera Cruz, “Sai da Frente” (1952), até o fim da carreira, “O Jeca e a Égua Milagrosa” (1980), Mazzaropi encarnou melhor do que ninguém o sonho brasileiro de ocupação de seu próprio mercado. Alguns filmes fizeram mais sucesso do que outros, alguns eram melhores do que outros. Não importa: todo mundo sabia que no dia 25 de janeiro, aniversário de São Paulo, o cinema Art-Palácio, na av. São João, estaria reservado para “o filme do Mazzaropi”.

Ter uma data reservada numa das principais salas da cidade e, à sua disposição, o então muito importante circuito Serrador eram privilégios reservados só às distribuidoras norte-americanas. Somente Mazzaropi furava esse cerco, pois com ele os exibidores tinham certeza de lucro nas bilheterias. Ano após ano, o público provava que estava com ele, com seu andar desengonçado, com a gestualidade característica.

Programa na TV Cultura


O Viola, Minha Viola remonta o clima do período de ouro do cinema caipira para comemorar os 100 anos de nascimento do ator Amacio Mazzaropi. O programa da TV Cultura vai ao ar hoje, às 9h, na véspera do dia que marca o centenário do humorista que deu vida ao Jeca Tatu. Para esse programa especial, a cantora e folclorista Inezita Barroso convidou o apresentador Raul Gil, o grupo Paranga, a dupla Oswaldinho e Marisa Viana e o duo Moacyr e Sandra. A reprise do programa é no dia 14 de abril, às 20h.

“Esse programa é ótima oportunidade para relembrar cenas e músicas dos filmes de Mazzaropi. Ele conhecia o folclore do interior do Brasil, sabia usar clássicos caipiras e também fez uma parceria linda com o amigo e compositor Elpídio dos Santos, de São Luiz do Paraitinga”, fala a cantora Inezita Barroso. Na abertura do programa, ela canta “O Que Ouro Não Arruma”, uma cantiga de garimpeiros cantada por Mazzaropi no filme Candinho (1953). No encerramento, Inezita canta “Tristeza do Jeca” em dueto com Raul Gil, que imita a voz de Mazzaropi.

Todo repertório musical desta edição especial do Viola, Minha Viola está nos filmes do humorista. O Grupo Paranga, formado por Negão, Renata, João Gaspar e Lia, traz o legado do grande compositor Elpídio dos Santos. “Meu pai foi o mais fértil e constante parceiro do Mazzaropi. É uma das parceiras mais forte entre cinema e música”, diz Negão dos Santos.