08 de julho de 2026
Geral

Bauru será palco de direitos humanos

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 4 min

Discutindo Memória, Verdade e Cidadania, a ampla programação da II Jornada de Direitos Humanos de Bauru tem início no próximo dia 14 de abril. Com grande enfoque em adolescentes com idade escolar do ensino médio, o evento traz também, pela primeira vez ao Interior de São Paulo, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, que vai promover audiência de julgamentos para casos da Ditadura Militar em Bauru e região.

A Comissão de Anistia foi criada em 2001, é vinculada ao Ministério da Justiça, composta por 24 conselheiros nomeados e presidida pelo professor Paulo Abrão Pires Júnior, da PUC do Rio de Janeiro. O grupo analisa os pedidos de indenização formulados pelas pessoas que foram impedidas de exercer atividades econômicas por motivação exclusivamente política desde 18 de setembro de 1946 até 5 de outubro de 1988.

Ainda não há definições dos casos a serem julgados, que devem ser publicados, pelo Diário Oficial da União, apenas 72 horas das audiências, marcadas para o dia 19, das 9h às 19h, na Instituição Toledo de Ensino (ITE). Existe, porém, a possibilidade de que o caso do ex-prefeito Édison Bastos Gasparinni esteja na pauta da comissão. Quando vereador, em 1964, ele perdeu o mandato após ter sido cassado pela Câmara Municipal em razão do golpe militar.

O professor Clodoaldo Meneguello Cardoso comemorou a vinda da Comissão da Anistia a Bauru. “Nós trabalhamos para organizar um evento voltado à educação e à cidade. No entanto, este ano, teremos essa ferramenta importante para a discussão da memória e da verdade”, pontuou o coordenador do Observatório de Educação em Direitos Humanos (OEDH).


Atividades


Apesar do grande destaque dado à caravana da Comissão da Justiça, outras atividades importantes estão agendadas pela organização da Jornada, de responsabilidade do OEDH, da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (FAAC) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e do Centro de Estudos Sociais e Políticos ‘Nossa Memória Ninguém Apaga’.

A solenidade de abertura será no Sesc-Bauru, às 19h30 do dia 14, sábado. Na ocasião, também será inaugurada a exposição ‘Arte nos Direitos Humanos’, que será mantida até o dia 22 de abril.

Outras duas exposições estarão disponíveis aos interessados ao longo da jornada. Até o último dia do evento, dia 24, o Teatro Municipal vai receber a Mostra de Fotografias em Direitos Humanos. As imagens estarão no local a partir do dia 20.

Já entre os dias 17 de abril e 30 de maio, a Diretoria Regional de Ensino de Bauru vai receber a exposição ‘Direito à Memória e à Verdade’, fruto de uma parceria entre Secretaria Especial dos Direitos Humanos e o Centro de Direitos Humanos e Memória Popular e Rede Estadual de Direitos Humanos do Rio Grande do Norte.


Inscrições limitadas


Todos os eventos da II Jornada de Direitos Humanos de Bauru são gratuitos. Além da programação artística, estão agendadas mesas redondas, rodas de conversas e diversas oficinas. No entanto, algumas delas têm número limitado de participantes.

Mais informações, inscrições e a programação completa estão disponíveis no site www.oedh.unesp.br. Outra opção é o contato pelo telefone: (14) 3103-6172.

Futebol e Ditadura

Na sexta-feira, dia 20 de abril, às 19h, será lançado o livro ‘Futebol & Ditadura’, que conta a história de Nando (irmão do Zico e do Edu), ex-preso político e o primeiro jogador de futebol anistiado do Pais. Estão confirmadas as presenças de Fernando Antunes Coimbra (Nando), Antônio Pedroso Junior e Guilherme Rodrigues, do Centro Cultural do Ceará Sport Clube.

Co-escrito por 15 autores, a obra apresenta crônica de ex-presos políticos, gestores governamentais e pessoas que viveram intensamente o período da ditadura militar de 64 no Brasil. Dentre os autores estão: o jornalista Juca Kfouri, o cantor Fagner, Cecília Coimbra, presidente do Grupo Tortura Nunca Mais/RJ e Antônio Pedroso Junior, coordenador de: “Nossa Memória Ninguém Apaga”.

Ainda no campo da literatura, uma Feira do Livro Infanto-Juvenil vai ser instalada no Sesc entre os dias 18 e 19. No local, oficinas voltadas a professores vão discutir assuntos relativos à cidadania e educação.

Cinema e teatro

A II Jornada de Direitos Humanos conta também com exibições de filmes e apresentações de peças teatrais em sua programação. Entre os destaques, está a montagem de ‘Filha da Anistia’, que terá metade dos lugares do Teatro Municipal de Bauru reservada para alunos do ensino médio da rede estadual de ensino público, reforçando o caráter de educação em cidadania do projeto.

As sessões serão no dia 20 de abril, às 20h; no dia 23, às 15h e às 20h; e no dia 24, às 9h e às 20h. As apresentações serão realizadas no Teatro Municipal e serão seguidas por debates.

A peça, que estreou em São Paulo em março de 2010, nasceu após três anos de intensa pesquisa.  Carolina Rodrigues e Alexandre Piccini, co-autores e atores da peça, mergulharam em arquivos públicos e bibliotecas, selecionando documentos, jornais, livros, teses e biografias. Além do escasso material publicado, foi imprescindível conhecerem o olhar e a experiência de pessoas que viveram e lutaram na resistência ao regime autoritário.

Já os cine-fóruns estão programados para os dias 19 e 20 de abril, a partir das 9h, com exibição do longa O ano em que meus pais saíram de férias, de Cao Hamburger, seguida de debate com a professora de História, Rosângela de Lima Vieira, da Unesp de Marília.