08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

AINDA A VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS


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Interessante a carta publicada nesta coluna em 06/05/12, assinada pela pedagoga Leda Fernandes Michellão, sob o mesmo título e tema, especialmente por apontar caminhos e alimentar esperanças. Contudo, há que se considerar que a humanidade necessita ser educada ou, em outras palavras, se apropriar de conhecimentos, saberes e fazeres das gerações anteriores a cultura em um sentido mais amplo. Essa necessidade se dá pelo fato de transformarmos a natureza conforme nossas necessidades. E essas transformações na natureza ocorrem através do trabalho. O trabalho é, assim, a ação humana fundamental. Pode ser físico ou intelectual. Um a antecipação da ação, o planejamento.

O outro, a execução. Educação acontece desde o momento que o homem construiu as primeiras ferramentas, desenhos, fonemas e símbolos. A necessidade da escola grega se dá pelo aprofundamento da organização social, com a democracia, e buscava formar cidadãos melhores. O que motivou a escola atual e a busca da universalização do acesso foi a Revolução Industrial. Isso se expressa inclusive na concepção arquitetônica das escolas atuais, que mais parecem fábricas. As mudanças nos processos produtivos, a era tecnológica e a sociedade da informação implicam nas mudanças metodológicas do ensino. Mas o essencial na escola é o conhecimento. Impossível o desenvolvimento da sociedade moderna sem cidadãos com uma base mínima de conhecimentos. Difícil empregabilidade de um sujeito sem os conhecimentos técnicos da sua área de atuação e dos rudimentos científicos que sustentam suas técnicas. É essa relação que tornaram clássico na escola primária o aprendizado rudimentar das letras e da linguagem matemática, e no secundário o aprofundamento desses primeiros com a apreensão dos rudimentos conceituais e procedimentais necessários à compreensão da natureza (física, química e biologia) e da própria humanidade (história, geografia, sociologia, filosofia, educação física e artes).

Assim, as ações para tornar a escola um ambiente propício para a relação ensino/aprendizagem e seguro para as crianças, adolescentes e jovens são todas muito bem-vindas. Mas a violência não é só quando alguém te assalta, ou quando alguém bate em sua cabeça, violência também, e muito maior, é não ter acesso a cultura, saúde, felicidade... A maior violência que pode haver nas escolas é o aluno acordar às 6h e preparar-se para as aulas e não ter professor. Foi noticiado isso pela Folha de São Paulo, que faltam professores em 1 a cada 3 escolas. Ou não é violência ter aula com professores com pouca formação? Mas a sociedade da informação é também a do mercado. E como querer professores na escola pública com boa formação nas suas áreas, sem o reconhecimento da importância social da sua função também em salários? Formação, reconhecimento profissional e salarial, numa economia de mercado é política educacional e combate à violência nas escolas.  O resto é discurso vazio.

Alberto Pereira