08 de julho de 2026
Ser

Diga 'não' ao bullying


| Tempo de leitura: 4 min

Quando manda um filho para a escola, toda mãe acredita que está proporcionando a ele um dia de aprendizado, brincadeiras e convívio feliz com os amigos. Infelizmente, nem sempre esse cenário se concretiza, porque o local de ensino pode se transformar em um inferno.
O bullying, comportamento agressivo de alguns estudantes contra outros, traz consequências terríveis. "As vítimas sofrem maus-tratos psicológicos que podem interferir intensamente no desenvolvimento social, emocional e em seu rendimento escolar", diz Gustavo Teixeira, psiquiatra infantil, mestre em Educação e autor do livro Manual Antibullying (Editora Best Seller).
I.F.B. conseguiu ajudar a filha de 6 anos a parar de sofrer com o bullying. Ela conta que quando entrou em um novo colégio para cursar a 1ª série, Amanda, a filha, passou a ser perseguida por duas meninas da classe. "Até a marca de lápis de cor que minha filha usava era motivo de deboche", conta.
A mãe diz que a filha chorava e pedia para mudar de escola, mas I.F.B. insistia para ela permanecer lá. Pediu, então, uma reunião com a escola. A pedagoga conversou com I.F.B., Amanda e as agressoras. Em dado momento, a menina disse que o que mais a deixava triste era o fato de as meninas não gostarem dela, já que ela gostava muito das duas...
Apesar da conversa com a pedagoga, as agressões continuaram. I.F.B. decidiu pedir ajuda a uma professora que era muito respeitada pelos alunos. Essa professora chamou as meninas e mandou que parassem com a "palhaçada", questionando se elas gostariam de passar por aquilo. E as duas, deixaram de perseguir Amanda.
Mas o caso nem sempre é resolvido com facilidade, segundo Teixeira. Muitas vezes, por medo ou vergonha, os agredidos não contam à família. Mas os pais e educadores precisam estar atentos, já que as consequências para podem ser devastadoras tanto para quem sofre quanto para quem pratica Bullying.

É preciso ficar atento!

?Bullying significa violência física entre estudantes?
Gustavo Teixeira -
Não. Tapas, chutes, empurrões e outras agressões físicas são um tipo de bullying. Mas ele também pode ser de natureza verbal, moral ou sexual. Isso quer dizer que xingar, ameaçar, apelidar, humilhar, excluir, assediar e violentar, entre outros atos, também é praticar bullying.

?Como eu descubro que meu filho é uma vítima?
Gustavo Teixeira -
Muitas vezes, por medo ou vergonha, os agredidos não contam à família. Mas há vários sinais que a criança dá. Algumas pistas são: medo de ir à escola, desinteresse pelos estudos, arranhões e machucados no corpo, falta de amigos e material escolar estragado ou furtado.

?Quais consequências a vítima de bullying sofre?
Gustavo Teixeira:
Os danos são muitos e podem ser irreparáveis. Além da queda no rendimento escolar, crianças e adolescentes ficam extremamente estressados. Apresentam problemas como insônia, falta de amor-próprio, ansiedade, depressão e pensamentos suicidas

?O que eu faço para ajudar?
Gustavo Teixeira
- Converse com seu filho e ofereça apoio. Explique o problema à coordenação pedagógica da escola. É muito importante que a instituição se empenhe em resolver a questão. Também pode ajudar colocar a criança ou adolescente para praticar um esporte fora do horário de aulas. A atividade irá fortalecer não apenas seu corpo, mas também a autoestima e a habilidade de se socializar.

?Quais as principais consequências que o agressor pode sofrer?
Gustavo Teixeira
- As consequências para o bully (lê-se búli), como é chamado o agressor, também podem ser devastadoras. Eles são mais propensos ao uso abusivo de álcool e drogas, a se envolver em atos delinquentes e crimes, e a ter problemas futuros com a Justiça.

?Se meu filho praticar bullying contra alguém, como eu devo agir?
Gustavo Teixeira
- Explique a ele que esse tipo de comportamento é errado e inaceitável. Reforce valores como saber conviver em sociedade e ter respeito pelo próximo. Deixe claro que ele será punido caso volte a se comportar mal. Lembre-se, porém, de que os castigos não devem jamais ser físicos, porque isso apenas reforçará a agressividade nele. Passeios e lazer em família podem ajudar, já que aproximam pais e filhos. Por fim, peça ajuda também na escola. "Livrei minha filha da perseguição" I.F.B. é uma mãe carioca que conseguiu ajudar a filha de 6 anos a parar de sofrer com o bullying. Conheça sua história: