Um homem não identificado foi morto a tijoladas e parcialmente queimado, possivelmente durante a madrugada de ontem, em um terreno baldio na rua Francisco Saiez Aiza, quadra 3, divisa do bairro Santa Fé com Fortunato Rocha Lima, em Bauru. O requinte de crueldade usado pelo assassino - ou assassinos - deixou claro que não bastava matar, mas dificultar a identificação da vítima.
A vítima, um homem de estatura mediana, estava vestida com uma camiseta, bermuda e tênis. Antes de ser queimado, teve o rosto desfigurado pelos golpes de tijolo que recebeu, especialmente na cabeça e parte superior do corpo. O rastro de sangue deixado entre os tijolos usados na agressão até o local onde o corpo foi queimado permite dizer que ele foi morto, arrastado e em seguida teve seu corpo coberto com restos de madeira e lixo para, finalmente, ser queimado.
Do rosto da vítima nada restou, tudo foi consumido pelo fogo. A mão esquerda se separou do braço e ficou ao lado do corpo no chão, enquanto a mão direta parou num movimento típico de quem usa tenta se defender.
Na cena do crime, além do rastro de sangue, um chinelo surrado, provavelmente de um dos participantes da ação cruel, revela que ele tinha estatura mediana, uma vez que calçava 36. Foi esquecido próximo a um pedaço de tijolo com oito furos e de um bloco onde, possivelmente, a vítima teve seu rosto desfigurado.
Ninguém viu ou ouviu qualquer barulho durante a madrugada, como era de se esperar e sempre acontece em casos como este. O local é ermo e o barraco mais próximo fica a cerca de 50 metros, mas o silêncio dos moradores das imediações é fato típico.
Polícia
Por volta das 7h da manhã de ontem, o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) foi avisado que no local havia um corpo carbonizado. Uma viatura seguiu para o local e se deparou com a cena chocante. O local foi isolado.
Em pouco tempo, moradores da região se aglomeraram para ver o homem que havia sido queimado. Ninguém sabia de nada e nem mesmo o reconheceu pelas vestes, mas permaneceram ali até a chegada do carro da funerária que fez o transporte até o Instituto Médico Legal (IML) para a necropsia. Quando o corpo foi levantado, uma carteira com documentos pessoais da vítima foi ao chão, porém, com o calor do fogo não continha nenhum documento legível, pois todos foram derretidos.
Semana trágica
A Semana Santa em Bauru foi marcada por dois assassinatos ocorridos num espaço de tempo muito pequeno. Na Sexta-feira Santa, por volta das 6h, o presidiário Sérgio Valério de Moraes, 39 anos, foi morto na casa de sua amásia, no Parque Jaraguá, conforme o JC divulgou na edição de sábado.
Dois homens armados usaram um pedaço de madeira pontiagudo para agredir até a morte o beneficiado pela saidinha de Páscoa. Moraes era autor de dois homicídios e um roubo. O caso ainda não foi esclarecido, mas tudo indica que a motivação tenha sido vingança.
Ontem, um homem ainda não identificado foi morto a tijoladas e queimado na divisa do bairro Santa Fé com o Fortunato Rocha Lima. O caso também está sendo investigado. Para a polícia, a vítima foi morta por mais de uma pessoa, pois os requintes de crueldade aplicados no crime revelam que os autores estavam com muita raiva dele.
Casos assim, geralmente, são motivados por vingança, “queima de arquivo” e dívida de drogas. Não há suspeitos e somente a investigação vai descobrir qual foi o motivo do crime.