09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

CHICO ANYSIO - O INSUBSTITUÍVEL


| Tempo de leitura: 1 min

Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho, o Chico Anysio. O nome tão extenso, quanto a sua obra, afinal foram mais de duzentos personagens que alegraram o país por mais de 60 anos. A Escolinha do Professor Raimundo, que surgiu no final dos anos 50, na rádio Mayrink Veiga, foi um dos maiores programas humorísticos da história do País. Nele, Chico conseguiu reunir grandes nomes do humor brasileiro, verdadeiros gênios das risadas como os saudosos Walter Dávila, Costinha, Brandão Filho, Rogério Cardoso, Marcos Plonka, Grande Othelo, Mário Tupinambá. Outros gênios que estão entre nós e que fizeram e para sempre farão parte do verdadeiro humor, como Orlando Drummond, Lúcio Mauro, Castrinho, David Pinheiro, até porque, como dizia Anysio, existem dois tipos de humor, o que é engraçado e o sem graça. Na minha infância, eu não via a hora de chegar em casa depois da escola, para assistir a Escolinha. Hoje, bate uma nostalgia ao ver as reprises em um canal de TV pago. Chico foi amigo dos amigos dele. Dava emprego para tanta gente. Serviu de escada para vários comediantes. Deixava o seu brilho ofuscar para o surgimento de novos talentos do humor. Alberto Roberto, Nazareno, Bento Carneiro, Justo Veríssimo, Salomé. Foram tantos os personagens criados por ele.

Chico foi um artista completo. Além de humorista, era ator, diretor, escritor, compositor e pintor. Num país de tantas mazelas e com tantos motivos para chorar, Chico Anysio nos deu a oportunidade de rir, de gargalhar. É um dos raros artistas que contrariam a tese de que não há pessoas insubstituíveis. Chico é. Em tudo. Hoje as cortinas se fecham, os holofotes se apagam, o mestre deixa o palco da vida. Hoje os anjos é que riem. E nós, choramos.

Orlando André Martins Gasparini