10 de julho de 2026
Regional

Cartaz com "regras" para os ladrões vira ponto de visitação em S.Manuel

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

São Manuel – O comerciante Valter Maestá, que teve sua joalheria furtada várias vezes – a última delas no final de semana – e decidiu afixar um cartaz na porta da loja com “regras” para os ladrões que quiserem lhe fazer uma “visita”, foi ontem o centro das atenções em São Manuel (69 quilômetros de Bauru). Além de populares, comerciantes também apoiaram a forma inusitada de protesto contra a falta de segurança. A Polícia Civil informou que já identificou um dos envolvidos na ação e que ele está sendo procurado.

 

O comerciante “proibiu” crimes aos finais de semana e instituiu “limites” para os furtos. Ele explica no cartaz que, desde ontem, a loja não poderá ser roubada ou furtada aos sábados e domingos, apenas nos dias úteis. Para justificar a restrição, ele aponta falta de funcionários para investigar as ocorrências. “Devido aos grandes prejuízos, os roubos ficarão limitados a um montante de, no máximo, um salário base”, ressalta. “Aos ladrões que descumprirem, e na improvável hipótese de serem pegos, talvez, quem sabe, poderão ser punidos pela lei”.

 

O dono da joalheria conta que, durante todo o dia, populares e comerciantes foram até a sua loja para conhecer o famoso “manual” para os criminosos, que permaneceu exposto na porta de vidro até por volta das 18h. 

 

Segundo Maestá, veículos de comunicação de todo o Estado e até mesmo do Rio de Janeiro entraram em contato com ele para repercutir a matéria, divulgada na edição de ontem do JC. Ele afirma que, apesar do aparente tom de brincadeira, o cartaz é uma forma de cobrar uma atenção maior das autoridades. “É uma forma de ficar indignado com tudo o que está acontecendo”, revela. “Eu coloquei esse cartaz em forma de sátira e jamais imaginei que iria repercutir dessa forma”.

 

O comerciante Valter Maestá conta que sua loja já foi furtada seis vezes. Em três ocorrências, segundo ele, os prejuízos foram maiores. Em setembro de 2

1

, ele alega ter perdido R$ 1

mil em produtos. Dois meses depois, os criminosos furtaram todo o seu estoque de joias, um prejuízo avaliado por ele em R$ 6

mil. “Aí eu parei de vender joias e entrei para o ramo de alianças”, revela.

 

No último sábado, por volta das 4h, pelo menos três homens levaram mais de duas mil alianças em aço cirúrgico e um balcão de semijoias avaliado em R$ 1

mil. O comerciante estima que os prejuízos, neste último caso, podem ultrapassar os R$ 4

mil. “De alianças de namoro e compromisso, eu tinha um dos maiores estoques de todas as joalherias”, alega. “Não sei quando vou me recuperar agora”.

 

Segundo a Polícia Civil, os suspeitos são três homens que chegaram ao local em um Voyage cinza com o farol esquerdo queimado e adesivo de cor preta cobrindo parte dos vidros das portas dianteira e traseira. Após cortarem os cadeados que protegiam a porta de entrada com alicate, eles tiveram acesso ao interior da joalheria, de onde furtaram alianças e correntes. Toda a ação foi gravada pelo circuito interno de segurança da loja. 

 

O delegado José Mario Toniato conta que as investigações tiveram início logo após perícia da Polícia Científica no local e que um dos três ladrões – que seria morador de um município da região – já foi identificado. Ele justifica que os trabalhos de apuração demandam certo tempo por exigirem a análise de imagens de câmeras de monitoramento de prédios vizinhos e depoimentos de eventuais testemunhas.