09 de julho de 2026
Internacional

Síria cumpre em parte cessar-fogo

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Nações Unidas - Após meses de escalada sangrenta que resultou em 9.

mortos e deixou o país à beira da guerra civil, a Síria teve um dia de relativa calma, em meio a um frágil cessar-fogo cumprido parcialmente pelo governo.

 

Segundo a ONU, a ofensiva das forças de segurança contra focos rebeldes foi abrandada na maior parte do país com a entrada em vigor do plano de paz internacional, na manhã de ontem.

 

Mas líderes da oposição ressaltaram que o regime não retirou suas tropas dos centros urbanos, como estabelece o plano, e convocaram protestos em massa para hoje, que serão o primeiro teste real do cessar-fogo.

 

O próximo passo da ação internacional deve ser o envio de observadores para monitorar o acordo, que continua cercado de ceticismo.

 

Uma resolução nesse sentido estava sendo negociada ontem no Conselho de Segurança da ONU, desta vez com o provável apoio de Rússia e China, que bloquearam duas tentativas de impor sanções contra a Síria.

 

O enviado especial para a Síria, Kofi Annan, disse hoje que estava “encorajado” com a redução da violência. 

 

“A Síria está relativamente calma, e a suspensão das hostilidades aparentemente está mantida”, afirmou. 

 

Em comunicado ao Conselho, porém, ele confirmou que o regime havia cumprido apenas parcialmente o seu plano de seis pontos e que as tropas sírias continuam nos centros urbanos.

 

Annan recomendou o enviou de uma força de 2

a 25

observadores, mas é possível que um contingente menor seja iniciado para apressar o monitoramento.

 

“O envio integral da missão pode levar algum tempo”, disse o embaixador da Rússia na ONU, Vitaly Churkin. “Se conseguirmos colocar 2

ou 3

monitores na Síria no início da próxima semana, será muito bom.”

 

A “relativa calma” comemorada por Annan não significou o fim do derramamento de sangue. Segundo os Comitês Locais de Coordenação, uma rede de opositores que atuam na Síria, 21 pessoas foram mortas ontem.

 

Tanques mantiveram as patrulhas nas ruas das principais cidades e atiradores continuaram posicionados nos telhados de prédios, afirmaram os ativistas.

 

O regime devolveu a acusação, afirmando que os rebeldes tentaram sabotar o plano. Segundo o embaixador da Síria na ONU, Bashar Jaafari, houve oito ataques contra forças do governo. 

 

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, reiterou a fragilidade do cessar-fogo, dizendo que “ele pode ser quebrado a qualquer momento, com um único tiro”. 

 

“O ônus é do governo da Síria, que deve provar que suas palavras serão acompanhadas de ações”, disse.

 

Adib al Shishakly, do CNS (Conselho Nacional Sírio), maior grupo de oposição, disse que a trégua é insuficiente para abonar o comprometimento do regime. 

 

“Eles diluíram toda a iniciativa a um único ponto, o cessar-fogo”, disse. “O que houve com os outros seis?”

 

O plano de Annan inclui ainda o diálogo com a oposição, a libertação de prisioneiros, o acesso de ajuda humanitária e da mídia e o respeito a protestos pacíficos.

 

Mesmo com o cessar-fogo, o futuro do regime sírio mantém a queda de braço no CS. O plano de Annan não prevê a saída do ditador Bashar Assad, defendida por França, EUA e Reino Unido, mas rejeitada por China e Rússia. 

 

Há indícios de crimes contra a humanidade suficientes para indiciar membros do regime em cortes internacionais, disse ontem a França. 

 

A embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice, afirmou “que as tropas e blindados sírios devem retornar aos seus quartéis imediatamente”.

 

 

 

ONU discute envio de observadores

 

Nações Unidas - Uma proposta de resolução apresentada na quinta-feira pelos EUA ao Conselho de Segurança da ONU prevê o envio de até 3

observadores desarmados para monitorarem a frágil trégua na Síria, que entrou em vigor durante a madrugada.

 

O texto, obtido pela Reuters, diz que o Conselho “exige que o governo sírio implemente de forma visível seus compromissos integralmente (...) de a) cessar o movimento de tropas na direção de centros populacionais; b) cessar todo o uso de armas pesadas em tais centros; e c) iniciar a retirada das concentrações militares dos centros populacionais e arredores”.

 

A resolução, que pode ser votada já hoje, “pede a todas as partes na Síria que cessem imediatamente toda a violência armada em todas as suas formas, e que cessem todas as detenções arbitrárias, abduções e torturas”.