09 de julho de 2026
Geral

Bandidos amarram e aterrorizam família

Murillo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Uma família bauruense viveu momentos de muita tensão e terror na noite da última quarta-feira quando a residência em que vivem, no bairro Santa Edwirges, em Bauru, foi invadida por quatro ladrões armados com revólveres e facas. 

 

De acordo com o boletim de ocorrência registrado pela família, os ladrões tiveram acesso à residência por volta das 22h. No momento, o portão da casa estava fechado, mas o cadeado não estava trancado. Logo que entrou no imóvel, o grupo rendeu os donos da casa e outras duas pessoas. 

 

“Para falar a verdade, o portão não estava trancado porque muitas pessoas entram na nossa casa diariamente por conta do nosso comércio”, explica I.F.B.L., 44 anos, uma das vítimas rendidas pelos ladrões. “Depois que entraram na nossa casa, já passaram a exigir dinheiro e nos ameaçaram com armas o tempo todo. Eles insistiam que queriam o dinheiro do cofre, mas não temos cofre em casa”, conta.

 

Ainda bastante abalada e com ferimentos na face, a vítima relata que por mais de uma vez os ladrões chegaram a colocar a arma contra seu rosto e contra o rosto de seu marido para intimidá-los. 

 

“Eles até engatilharam a arma algumas vezes. Meu marido apanhou muito, está com muitos hematomas nas costelas e no braço, por exemplo. Eles ficaram em casa por 2

minutos, mas para nós pareceram 2

horas”, reforça. 

 

Além de um talão de cheques, um notebook, um videogame PlayStation 3 e cinco celulares, o grupo teria fugido levando cerca de R$ 15 mil em dinheiro. Antes de saírem do local, porém, eles amarraram as vítimas com fios elétricos e as trancado no quarto. 

 

“Depois que juntaram todo o dinheiro que conseguiram, eles pegaram fios elétricos e cabos de equipamentos eletrônicos e nos amarraram. Só conseguimos nos soltar algum tempo depois deles fugirem”, diz a vítima.

 

Para o delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Kleber Granja, o caso chama atenção pela forma violenta como os assaltantes agiram. “Pelo relato das vítimas, foi uma ação bastante violenta, o que não costuma ser a forma de ação mais comum nesse tipo de assalto”, explica. 

 

Ainda segundo o delegado, as investigações do caso já começaram e, num primeiro momento, nenhuma hipótese será descartada pela polícia. “Por enquanto, já iniciamos um levantamento na região para determinar rotas que os ladrões podem ter seguido. Nos próximos dias vamos ouvir as vítimas e também vizinhos para filtrar algum detalhe que ainda não esteja bem esclarecido da ação”, finaliza.

 

O que pode dificultar a identificação dos assaltantes é o fato de que todos estavam encapuzados durante o assalto, o que impediu a descrição física por parte das vítimas.

 

 

 

Comparsas

 

Conforme o Jornal da Cidade apurou, além dos quatro assaltantes que entraram na residência, outros comparsas podem ter auxiliado na fuga do grupo. Isso porque depois que as vítimas conseguiram se livrar das amarras, eles notaram que os carros que estavam estacionados no quintal da casa também haviam sido revirados. 

 

“Como os quatro ladrões ficaram dentro de casa durante o assalto, deduzimos que outras pessoas estariam esperando por eles na parte externa do imóvel e que foram eles que procuraram por dinheiro ou alguma outra coisa nos automóveis”, reforça a comerciante feita refém.

 

 

 

Crime recorrente

 

Para o delegado da DIG, Kleber Granja, esse tipo de assalto é mais comum nos primeiros dias dos meses, época em que são feitos os pagamentos. “Temos verificado crimes que envolvem o roubo de grandes quantias de dinheiro de forma recorrente nesse período”, destaca. 

 

“Os pequenos comerciantes e, em alguns casos, até empresários de médio porte tem optado por manter quantidades vultosas de dinheiro em casa, em algumas situações. Essas pessoas precisam tomar muito cuidado para não comentarem com amigos ou conhecidos sobre esse dinheiro porque essas pessoas podem falar para terceiros, até sem maldade, e essa informação pode chegar ao conhecimento de pessoas mal-intencionadas”, completa.

 

Para o titular da DIG, o investimento em tecnologias que evitem o acumulo de dinheiro em espécie poderia ajudar a evitar os prejuízos materiais. “É claro que, nesses casos, recomendamos que as pessoas mantenham a calma e evitem reagir para que não coloquem também as próprias vidas em risco”, conclui.