10 de julho de 2026
Geral

?Graças ao Paiva, tenho princípios?

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Hoje em dia ouvimos muito falar em filantropismo e solidariedade. Mas a prova real de que tudo isso ainda existe com a dedicação de uma vida inteira é Sebastião Paiva. No último dia 8 de abril ele completou 1

3 anos e, na manhã de ontem, dezenas de voluntários e ex-moradores de uma das entidades fundada por ele em 1946 como, Rafael Thiago Rezende Bernardes, 18 anos, e Karla Cristina Mattiazo de Barros, 17 anos, fizeram questão de homenageá-lo.

 

Com mais de um século de vida, ele ainda anda, fala e ouve normalmente. Será que o segredo da vida é amar ao próximo e fazer o bem? Pode ser. Com toda essa idade, ele ainda é otimista e opina: “A política é uma calamidade. Acaba com uma entidade como essa mas não faz outra igual”.

 

Dentre as dezenas de voluntários, como o grupo ‘Voluntários em Ação’ que se reuniram na manhã de ontem em uma de suas entidades localizada na rua Doze de Outubro, Jardim Bela Vista em Bauru, dois se destacaram: Rafael Thiago Rezende Bernardes, 18 anos, e Karla Cristina Mattiazo de Barros, 17 anos.

 

A história destes dois jovens poderia ter sido diferente se não tivesse encontrado a entidade Casa da Criança em seus caminhos. O destino dos dois amigos, só se cruzaram no ano passado e eles nem sabiam durante o passar da vida que quase moraram na mesma entidade.

 

Rafael foi abandonado pela mãe com um dia de vida. Ela o trouxe da cidade de Duartina e o deixou na Casa da Criança. Lá ele cresceu e aprendeu os princípios de ser um homem justo e um bom cidadão. Hoje, é filho de Marisa Rezende Bernardes e Antônio Bernardes Júnior.

 

“Eu me lembro muito da dona Anita Camilo. Achava que ela era minha mãe. Uma vez eu estava brincando com uma arma de brinquedo e ela falou que era errado, então me deu um carrinho que eu tenho até hoje. Eu vivia com outros garotos e com 5 anos fui adotado. Me lembro que meu pai chegou e logo fui para o seu colo. Reconheci ele como pai”.

 

Rafael conta que só tinha retornado à entidade com 1

anos de idade para fazer algumas doações, mas que não teve a oportunidade de encontrar Sebastião Paiva. “Eu vim hoje por agradecimento porque graças a ele eu sempre tive uma casa e hoje tenho família e princípios”, contou.

 

 

 

Destino

 

Karla Cristina chegou à Casa da Criança quando já tinha 6 anos de idade. Ele e a mãe, de 45 anos, foram expulsas da casa onde moravam com uma tia. Depois de passarem três dias na rua, chegaram à entidade. “Na época minha mãe ficava na casa de idosos e eu com as crianças. Depois ela saiu para arrumar emprego e não conseguiu, então tentaram me disponibilizar para adoção, mas eu não queria porque ainda a via todos os sábados e era apegada a ela”, disse Karla.

 

Karla permaneceu na Casa da Criança até os 1

anos. Aos 7 conheceu uma família para adoção, mas não aceitou. Aos 9, foram mais quatro, até que conheceu a sua mãe atual, Teresa Cristina de Barros. 

 

“Aí eu resolvi que queria ser adotada. As festas promovidas pelo grupo Voluntários em Ação eram nossos melhores momentos. Sempre comemorávamos aniversário e outras festas, que acabavam suprindo a falta da família. Foi essencial”, acrescentou.

 

O que Rafael e Karla não sabiam era que se tornariam bons amigos. As mães dos dois jovens sempre trabalharam juntas e, no ano passado, descobriram que haviam adotado os filhos do mesmo lugar. Este ano eles se conheceram e são amigos. Karla cursa o primeiro ano de direito e Rafael ainda faz cursinho.

 

 

 

O filantropo de Bauru

 

Ele dedicou toda a sua vida ao voluntariado. Não casou e nem teve filhos. Por isso ficou conhecido como o ‘filantropo de Bauru’. Sebastião Paiva começou a sua trajetória em 1942, em Dois Córregos, quando fundou o asilo ‘Tito Paiva’, existente até hoje. Em 1946 veio a Bauru e fundou a primeira casa. Há 6

anos, a amiga voluntária Anita Camilo, 9

anos, acompanha Paiva nesta trajetória.

 

Rafael Thiago Rezende Bernardes e Karla Cristina Mattiazzo de Barros, fizeram questão de agradecer pessoalmente ao homem que criou a entidade que os acolheu. “Muito obrigada ‘seo’ Paiva. Sou muito grata porque já morei na rua e sei o que é passar por dificuldades”, disse Karla segurando uma das mãos de Paiva.

 

Mesmo com 1

3 anos, ele diz querer fazer muito pelas pessoas da ‘Terra’. “Há muita coisa errada na Terra que precisa ser corrigida. Queria fazer muito ainda. As pessoas precisam ter coragem. Não sei até quando ficarei vivo”, pontuou o filantropo, que é adepto ao espiritismo kardecista.