A produção nacional audiovisual vive um momento favorável. Uma prova disso é a recente lei 12.485, que estabelece cotas em canais de TV pagos para a programação brasileira. A iniciativa pode ser uma forma de mostrar, de uma vez por todas, o quanto somos um dos maiores produtores dessa linguagem.
Pensando em identificar as possibilidades de desenvolvimento audiovisual locais, o Enxame Coletivo, entidade que trabalha desde 2
9 lutando para criar uma verdadeira rede “fervorosa” de cultura em Bauru, este ano diz que vai emplacar a linguagem audiovisual. “A música sempre foi o carro-chefe do Enxame. Mas este ano, além da música, vamos focar no audiovisual”, afirma Artur Faleiros, responsável pelo planejamento e articulação de ações políticas da entidade.
Para 2
12, o Enxame já adianta dois de seus principais festivais. Um deles, a Semana do Audiovisual (Seda), vai acontecer em mais dias do que no ano passado, de 21 a 27 de maio, logo na sequência da Virada Cultural.
Dando continuidade, acontece do dia 28 de maio ao dia 2 de junho o Fórum ibero-americano de Audiovisual da Unesp, em que o Coletivo entra como parceiro.
“Os eventos acabam formando um grande encontro de duas semanas do audiovisual, trazendo uma perspectiva ibero-americana e outra mais nacional”, comenta o agente multimídia do Enxame Coletivo, Lucas Maia.
Outra aposta do Enxame é a Virada Audiovisual, com 12 horas de programação, atividade integrante à Virada Cultural paulista. “Nossa proposta para a Virada Cultural foi de ter uma Virada Audiovisual, para que o público não ficasse tão preso à música”, indicou Lucas.
Cenário local
Na visão de Artur Faleiros e Lucas Maia, Bauru abriga um campo fértil para a produção audiovisual. “Apesar do campo fértil, com faculdades de comunicação que oferecem formação de qualidade para a área, há escassez de espaços para exibição de audiovisual. Não há politica de ocupação de espaços para o município. Precisamos de oportunidades de exibições mais constantes, assim como festivais locais”, apontam.
A inclusão é também uma das pautas do Enxame. “Formar público é um grande pilar quando se fala em audiovisual, mas outro pilar que nos debruçamos é o da inclusão. Nessa perspectiva, a gente pode pensar em toda semana em um cineclube na periferia”, salienta Artur, que defende também a ocupação do centro da cidade com atividades audiovisuais. Lucas evidencia a importância de discutir, saindo da posição de mero espectador. “Apesar da facilidade de baixar um filme pela Internet, é também importante o debate, a conexão com mais pessoas, por isso a importância de cineclubes”.
Mais sobre o Enxame
O Enxame Coletivo é um empreendimento solidário de comunicação e cultura atuante no campo da cultura independente. Baseia-se na lógica de trabalho colaborativo e utiliza ferramentas de Internet e conceitos de economia solidária para realizar eventos.
O Enxame é ligado a maior rede de cultura livre do país - o Circuito Fora do Eixo - com efetiva participação em debates, listas de discussão e encontros presenciais em festivais, turnês e congressos, no Estado e em outras regiões nacionais. Mais informações: www.enxamecoletivo.org.