09 de julho de 2026
Bairros

Bairros estão cheios de histórias

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

Um pescador de história

 

Se os anos de prática de pescaria fossem contados como os anos de casamento, o arquiteto Maurício Queiroz Costa estaria comemorando bodas de prata.

 

Desde que fisgou um peixe pela primeira vez, aos 8 anos, na companhia do avô, Maurício selou uma aliança com a pescaria. Por ela, atravessa mares, viaja para onde e o quanto for necessário, se entrega.

 

Suas primeiras pescas foram na região de Joanópolis, quando ainda morava na Capital. Depois, se aventurou pelo Rio Tietê. Com o tempo, adquiriu experiência e apaixonou-se.

 

“Eu ia pescar com meu avô e um amigo, experts em pesca. Ficava admirando cada movimento e aprendendo com eles. Depois, tentava fazer igual. O interesse só aumentou com o tempo”, afirma Maurício.

 

Depois do Tietê, o arquiteto resolveu navegar por outros rios. Conheceu o Brasil pelas águas. Passou pelo Araguaia, pelo Pantanal, pelo Amazonas, pelo Xingu e por dezenas de outros rios com a vara de pescar a tira-colo.  

 

“Felizmente, hoje, o turismo de pesca é algo muito frequente e em ascensão. Existe a possibilidade do pescador conhecer o Brasil todo por meio de seus rios, pescar, se divertir e conhecer outras culturas”, afirma ele, que faz questão de devolver vivos ao rio todos os peixes que pesca.

 

“É um troféu. Registro o momento com uma foto e devolvo para que no próximo ano eu possa pescá-lo novamente”, justifica.

 

O que ele faz questão de trazer para casa de suas pescarias é um pouco da história dos lugares onde esteve, como artesanatos produzidos pelos povos nativos da região. Balaios, quadros e remos destas incursões tem grande destaque na casa do arquiteto.

 

“A pescaria é uma desculpa. A história, o contato com a natureza, o contexto da pesca é o que me interessa”, defende.

 

 

 

Para morder a isca

 

Criar minhocas. Para alguns, uma atividade exótica; para outros, nojenta; para quem lida com pesca, natural. Tão natural quanto indispensável. E é desta maneira que Geraldo Manoel dos Santos Filho, 57 anos, encara a atividade que garante o sustento de sua casa.

 

“Comecei criando minhoca em casa para garantir a isca da minha pescaria. Com o tempo, os amigos começaram a precisar e passei a vender. O negócio foi crescendo até que abri um minhocário há 4 anos e meio”, explica Geraldo.

 

Localizado na Vila Industrial, o espaço é famoso entre os pescadores da cidade, tanto que, nos finais de semana, geralmente não dá conta da demanda.

 

“É muita procura, mal dá tempo da minhoca crescer”, conta.

 

Geraldo comercializa, além das minhocas, que custam entre R$ 5,

e R$ 1

,

, dependendo da quantidade, húmus e bicho da laranja, muito utilizado para pescar tilápia.

 

“Só que o bichinho da laranja é mais complicado de cultivar. Ele tem um ciclo de vida muito curto, é preciso ficar atento para não perder a produção”, considera. 

 

 

 

Leve a tralha!

 

Vara, anzol, isca, chumbinho, lanterna, carretilha, molinete... Ou, se preferir, pode chamar tudo isso de tralha de pesca, como é conhecido o conjunto de instrumentos básicos de cada pescador, que apesar de ser composto por materiais bastante antigos e conhecidos, não para de se reinventar.

 

A modernidade de equipamentos antigos pode ser notada nas muitas lojas de pesca espalhadas pelos bairros da cidade. Na Campesca, uma das lojas do segmento mais tradicionais da cidade, por exemplo, é possível encontrar carretilhas que vão do modelo mais simples e custam em torno de R$ 6

,

, aos modelos mais modernos, como a carretilha digital, capaz de medir o comprimento da linha arremessada e que custa R$ 1.15

,

.

 

Varas de bambu também não são mais unanimidade há tempos no segmento. Hoje, equipamentos feitos com fibra de carbono, que propiciam leveza e agilidade, estão no topo do mercado e custam em torno de R$ 1.5

,

.

 

As iscas também evoluíram. Atualmente, centenas de modelos são fabricadas especialmente para pescar determinados tipos de peixes. Neste caso, os preços chegam em torno de R$ 9

,

.

 

“Os equipamentos de pesca evoluíram muito. Atualmente, é possível atender tanto aquele pescador mais simples, que gosta de pescar com vara de bambu e chumbinho, quanto ao pescador mais sofisticado, que gosta de roupas e equipamentos tecnológicos, considerados a grife da pescaria”, explica Paulo César Fernandes de Oliveira, gerente da loja.

 

Além dos equipamentos básicos, as lojas do segmento vendem também bolsas e roupas apropriadas para pescarias, bem como repelentes, salva-vidas, barcos e motores.

 

“Quem é apaixonado pela pesca se dedica e, aos poucos, monta sua tralha completa. Por isso a variedade de equipamentos disponível no mercado”, justifica.