08 de julho de 2026
Bairros

Pesque, pague e divirta-se

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Foi–se o tempo em que a pesca era considerada uma atividade arriscada, algo inadequado para crianças e mulheres, um ofício tipicamente masculino. Esta mudança se deve, em partes, à popularização dos pesque e pagues, que modernizaram e agregaram segurança à prática, tornando-a um hobby familiar.

 

Atualmente, para fisgar um peixe não é preciso enfrentar rios, driblar pernilongos, nem se aventurar mata adentro. Os pesque e pagues oferecem toda a estrutura necessária para a pesca, inclusive restaurantes e lanchonetes, banheiros, áreas de lazer para as crianças e, é claro, uma boa sombra.

 

Além disso, pescar e pagar também não é obrigatório. No pesqueiro Pexe Loko, por exemplo, localizado no Km 32

da rodovia Marechal Rondon, o frequentador tem a opção de pagar R$ 3

,

e levar todos os peixes fisgados na pescaria para casa, ou pagar R$ 15,

por pessoa para pescar e soltar.

 

“A ideia é atender a todos os tipos de frequentadores. Quem vem com mulher e criança, geralmente, encara a atividade como um lazer e prefere pescar e soltar o peixe. Já a maioria dos homens que vem sozinho ou com amigos prefere levar a pescada para casa”, explica Rodrigo Napoleone Artioli Sandri, proprietário do Pexe Loko.

 

Outra novidade no segmento é a variedade de horários. Alguns pesqueiros oferecem a opção de pescaria noturna, para quem quer praticar a atividade durante a semana, mas tem restrições de horário por conta do trabalho.

 

“Além disso, é costume divulgar na internet ou nas redes sociais quando vamos soltar mais peixes no lago. Assim, quem vem ao pesqueiro já sabe quais espécies terá condições de pegar, qual o melhor dia e horário”, explica Rodrigo.

 

 

 

Pescaria em família

 

Pedro Henrique Navarro da Silva tem apenas 5 anos mas já sabe o que quer na vida. Troca facilmente uma tarde de brincadeiras com os amigos por uma boa pescaria. Gosta tanto que chega a chorar para convencer seu pai Ronivaldo Mendes da Silva, 38 anos, a levá-lo pelo menos uma vez por semana ao pesqueiro.

 

“Eu gosto muito de pescar, ué!”, justifica o pequeno, como quem não precisa dar mais explicações para a predileção.

 

Ele acompanha o pai e o irmão, Lucas Gabriel Navarro, 17 anos, nas pescarias há cerca de um ano. Neste meio tempo, já aprendeu a por isca no anzol, a lançar a vara e a tirar o peixe do anzol.

 

“Aprendi a pescar ainda criança, com meu tio e com meu primo. Penso que o hobby fez muito bem na minha formação. Acho saudável. Por isso, não hesitei em ensinar meus filhos a pescar”, conta Ronivaldo, que acredita que os pesque e pagues facilitam o acesso das crianças à pesca.

 

“É mais seguro. Pescar em rio, além de ser longe, é mais arriscado. Certamente não daria para levar o Pedro Henrique...”, supõe.

 

Pai e filhos moram no Jardim Silvestre e pescam semanalmente em pesqueiros de Bauru e região. Costumam chegar bem cedo, às 9h, e ficar até às 18h. Quando optam pelo período da tarde, chegam às 12h2

e juntam as tralhas somente lá pelas 2

h.

 

“É uma delícia. De vez em quando minha esposa nos acompanha. Com a família reunida e com um lugar desses, não vemos o tempo passar”, conta.