09 de julho de 2026
Bairros

Tá nervoso? Vai pescar!

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

O mundo moderno está cada vez mais corrido e complexo. O trânsito intenso, as exigências do mercado de trabalho, a necessidade de conciliar tudo com a rotina familiar, os compromissos inadiáveis, tudo isso gera estresse e preocupação. Neste contexto, a famosa frase “Tá nervoso? Vai pescar” nunca fez tanto sentido quanto atualmente.

 

“Pescando é possível relaxar, deixar de lado as preocupações, entrar em contato com a natureza, enfim, é possível esquecer um pouco da rotina e do estresse”, aponta o pescador Cecílio Morales, 57 anos.

 

Nos bairros da cidade é possível notar que muitas pessoas compartilham da mesma opinião de Cecílio. Nos cerca de dez pesqueiros existentes nos bairros ou arredores de Bauru, por exemplo, é possível encontrar frequentadores de todas os sexos e idades, independentemente da hora ou do dia da semana. Tanto que alguns pesqueiros da cidade já adotaram a pesca noturna para atender quem trabalha em horário comercial.

 

Mais comum que os pesqueiros, é claro, são os pescadores. Arremesse a primeira isca quem nunca conheceu ou conhece um. A novidade é o aumento no número de mulheres praticantes da atividade. Embora não existam números que comprovam a informação, quem lida com a pesca é categórico em afirmar que a atividade tem se tornado cada dia mais familiar.

 

“Embora os homens ainda sejam maioria, as mulheres e as crianças estão pegando gosto pela pesca e, atualmente, estão cada vez mais inseridas e apaixonadas pela atividade. Notamos essa mudança no mercado”, aponta Paulo César Fernandes de Oliveira, gerente da Campesca.

 

Além de pescadores e pesqueiros, os bairros de Bauru também estão cheios de lojas voltadas para o segmento e empreendedores do ramo, como Geraldo Manuel dos Santos Filho, que de pescador amador tornou-se proprietário de um minhocário.

 

“Como estava inserido no ramo, notei a demanda e decidi abrir um minhocário para fornecer iscas. O negócio prosperou e tornou-se conhecido no meio dos pescadores”, conta.

 

Embora a pesca esteja inserida de diversas formas no cotidiano dos bairros da cidade, uma coisa é consenso: nesta atividade, o estresse não tem espaço. 

 

 

 

Entre o tempo de fisgar um peixe e outro, algumas risadas, muito bate-papo e boas histórias. É assim que os amigos Cecílio Morales, 57 anos, e João Xavier, 64 anos, passam as agradáveis horas que dedicam à pescaria.

 

“Por mim, não precisa nem pescar... Basta estar aqui, num lugar como este, tranquilo...”, opina o baiano João Xavier, que veio para Bauru aos 5 anos, mesma época em que aprendeu a pescar com os amigos.

 

“Ele gosta é da vida boa. Vem pescar comigo só pra se aproveitar e me pedir pra por isca, tirar o peixe do anzol, ajustar o guarda-sol...”, brinca Cecílio, tirando um sarro no colega.

 

Cecílio, assim como João, foi apresentado à pescaria ainda quando criança. Aprendeu as técnicas com um japonês que morava perto de sua casa. As lições foram dadas na base da troca: Cecílio pegava as minhocas da pescaria e o homem ensinava a ele o que sabia e ainda o levava pescar na beira do rio.

 

Hoje, alguns anos depois, a dupla pesca com o mesmo entusiasmo de quando criança. Cecílio, que mora no Alto Paraíso, aposentou-se e tornou-se pescador profissional. Já João, que mora na Vila Souto, gosta de acompanhar o amigo.

 

“Desde que eu coloque a isca e tire o peixe pra ele”, brinca, Cecílio, logo emendando “É brincadeira. Ele é um grande pescador. O maior marceneiro que Bauru já teve”, elogia. 

 

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