10 de julho de 2026
Internacional

Ex-ditador argentino admite desaparecimentos durante regime

Por Reuters | Magdalena Morales
| Tempo de leitura: 2 min

O ex-ditador argentino Jorge Rafael Videla admitiu pela primeira vez que a brutal ditadura do país, entre 1976 e 1983, "desaparecia" com opositores da esquerda, um eufemismo para o sequestro e assassinado deles. Ele também afirmou que bebês foram retirados de seus pais.

Videla, que atualmente tem 86 anos e foi condenado à prisão perpétua em 2010 por assassinato, tortura e sequestro, tem repetidamente justificado a brutalidade da junta militar com a repressão à chamada "Guerra Suja" dos esquerdistas. Até agora, ele negava os "desaparecimentos".

A imprensa local afirmou que Videla admitiu, em entrevistas para um novo livro, que a ditadura matou de 7.000 a 8.000 pessoas. "Em toda guerra pessoas são feridas, mortas e desaparecidas, com seus paradeiros desconhecidos, isso é fato", afirmou Videla em uma entrevista transmitida pela televisão local.

"Quantos foram é algo que pode ser debatido, mas o problema não está no número, mas no fato, um fato que ocorre em toda guerra. Permitimos o termo pejorativo de desaparecidos para... permanecer como um termo que encobre algo negro que queriam deixar em segredo, e é isso que está pesando, que houve algo negro que não foi suficientemente esclarecido."

Videla negou que bebês eram sistematicamente roubados dos opositores da esquerda e levados para adoção, mas afirmou que houve casos em que crianças foram retiradas de seus pais. "Sou o primeiro a admitir... naquela época crianças eram tomadas, algumas com a melhor das intenções de as crianças serem levadas para um lar bom e desconhecido", acrescentou Videla na entrevista. "Mas esse não era um plano sistemático."

Grupos de defesa dos direitos humanos calculam que 30.000 pessoas foram sequestradas e mortas ou sumiram durante a ditadura, que começou quando Videla e outros dois líderes militares realizaram um golpe em 24 de março de 1976.

"Vamos dizer que houve 7.000 ou 8.000 pessoas que tiveram que morrer para vencermos a guerra contra a subversão", afirmou Videla no novo livro "Mandato Final", segundo o jornal La Nación. O livro foi escrito pelo jornalista Ceferino Reato e é baseado em uma série de entrevistas de Videla.