São Paulo - O Ministério da Educação (MEC) formalizou o reconhecimento da residência em Medicina Veterinária com a criação e concessão, a partir deste mês, de 169 bolsas para residentes. A partir de agora, o MEC passa a reconhecer os programas como pós-graduação lato sensu, além de regular e financiar a modalidade.
A residência na área de saúde é uma modalidade de pós voltada aos recém-formados, com características de treinamento profissional supervisionado. Trata-se de uma espécie de estágio, em hospital, por tempo integral. Só é obrigatória para alguns campos de trabalho, mas é vista por especialistas de saúde como etapa extremamente importante para a formação.
As novas bolsas são no valor R$ 2.384,82 mensais. Os hospitais ligados a universidade federais receberam essa primeira leva de bolsas, que têm duração de dois anos.
Na área veterinária, a residência tem quatro décadas no Brasil. Somente em 2
5, com a criação da Comissão Nacional de Residência Multiprofissional em Saúde (CNRMS), do MEC, a modalidade foi englobada a outras residências na área de saúde. E só agora, com as bolsas do governo, há uma oficialização e uma diretriz mais definida.
Houve atualização do processo seletivo e orientação dos programas. A carga horária mínima foi fixada em 6
horas semanais - em alguns cursos, era de 48 horas -, com a duração de dois anos. Também houve outras regulamentações, como a abertura para que veterinários não professores possam orientar os residentes.
Até o ano passado, cada instituição construía o seu programa. Apenas o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) mantinha um acompanhamento de qualidade desses cursos, reconhecendo os programas. Dos 17
cursos de Veterinária do País, 6
mantêm cursos de residência (35,3%), mas apenas 21 (35%) têm esse reconhecimento do CFMV. Nos Estados Unidos, por exemplo, todas as escolas do tipo oferecem o programa.
Demanda
O presidente do CFMV, Benedito Fortes de Arruda, afirma que o reconhecimento pelo MEC da residência nesta área é uma demanda de mais de 2
anos do conselho. “O número de vagas em residência ainda é muito reduzido. Com a iniciativa do MEC, contemplam-se as escolas que já têm residência, para que elas possam se estabelecer, e há um incentivo para criação de novos cursos.”
Arruda acredita que a bolsa vai estimular os formados a procurarem a residência. Hoje, a maioria dos programas de residência tem bolsas pagas pela própria instituição, com valores em torno de R$ 1 mil. O valor não seduz muito o recém-formado, que acaba procurando melhor remuneração no mercado de trabalho. “Há um ganho substancial para quem faz a residência, porque é um treinamento em serviço.”
O curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) foi um dos contemplados pelo benefício - recebeu 2
bolsas.
A capixaba Jackeline Rezende, de 28 anos, já havia cursado em 2
11 um ano do modelo antigo de residência oferecido pela UFMG. Já poderia ter partido para o mercado de trabalho - ela quer cuidar dos cavalos do Exército -, mas preferiu entrar no novo programa do MEC. Vai se dedicar mais dois anos ao hospital universitário.