08 de julho de 2026
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Fábio Paride Pallotta
| Tempo de leitura: 4 min

A cidade de Bauru tem no seu centro histórico um dos maiores conjuntos arquitetônicos ferroviários do Brasil e da América Latina. Esse conjunto pode se tornar um grande Centro Histórico-Turístico Ferroviário e vir a ser um pólo gerador de renda, empregos e arrecadação, sob a perspectiva da Economia Criativa. Temos que mostrar que o passado preservado não atrapalha e, no nosso caso, pode ser o início de algo novo, admirável. Para o conhecimento da leitora Zilda Palloni Somense, passo a elencar o que está acontecendo no sentido de proteger "os nossos trilhos da história": Existe por parte da prefeitura o Projeto chamado "Ferrovia para Todos", que promove passeios turísticos periódicos e de curta duração, mas que pode se tornar um passeio de 44 km com interesse local, nacional e internacional. Ligado a esse projeto existem dez unidades museológicas que poderão ser visitadas a partir da Ferrovia restaurada no Centro. São elas: 1) Estação de Tibiriçá e de Fazenda Val de Palmas, 2) Museu do Trem, 3) Estação Sorocabana, 4) Estação Central e Museu da Tecnologia, 5) Museu Ferroviário Regional de Bauru, 6) Centro de Memória, 7)Museu da Imagem e do Som, 8) Museu Histórico Municipal, 9) Memorial da Indústria - Ciesp, 10) Casa Ponce Paz. O Codepac, o Sindicato de Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru, o Poder Público Municipal agiram e os trilhos de ramais funcionais no centro estão garantidos para o funcionamento do "Ferrovia para Todos" e para não isolar a Estação Sorocabana das demais estações do Centro, a saber: a Estação Central e a Estação da Cia Paulista de Estradas de Ferro. O Codepac encaminhou uma proposta ao Legislativo Municipal para faixas de isenção de IPTU para aqueles que preservarem em parte (50%), ou no todo (75%), Imóveis Históricos Tombados pelo órgão de preservação. O Poder Executivo poderia olhar para a questão da preservação com mais "carinho", propondo igual isenção para quem criasse moradias no centro a partir de imóveis de valor histórico, além dos benefícios que concede para aqueles que criam moradias novas no centro.

Poderia ser da cultura da nossa cidade nos perguntarmos se o imóvel a ser demolido não poderia ser aproveitado de uma forma mais adequada para a história da cidade. Em países com uma cultura de preservação os imóveis preservados possuem "pedigree" e valem entre 40% a 50 % a mais do que aqueles "sem história". Cidades da região, como Agudos que investe pesado no setor turístico hoteleiro, Lençóis Paulista, Pederneiras, mostram interesse em fazer parte do Turismo Ferroviário com um trajeto ampliado do "Ferrovia para Todos", que poderá se desenvolver com o apoio do Instituto ALL de Educação e Cultura, da empresa ferroviária América Latina Logística. Na Praça Julio Prestes, vulgo "Feira do Rolo", desenvolve-se um Projeto da Ciesp a cargo do Instituto Vista (http://institutovista.webnode.com/), de mais de 3 milhões de reais para a criação do Memorial da Indústria de Bauru, um espaço privilegiado que ajudará a restaurar o Centro Histórico e Ferroviário da cidade.

Ao lado dessa mesma praça existe a Estação da Paulista, que já está sendo restaurada com recursos públicos para ser o Museu de Imagem e do Som de Bauru (MISB) e o Museu Histórico Municipal (MHM). Um empresário da cidade do ramo de materiais de construção e acabamentos luta para conseguir encaminhar, nas antigas Oficinas da Estrada de Ferro Noroeste de Bauru, o Museu do Trem, que seria visitado por milhares de pessoas por ano, além de transformar o espaço criado em um Centro de Convenções para os mais variados usos. Como professor universitário e do ensino médio na cidade e preocupado com o nosso Patrimônio Histórico Arquitetônico Ferroviário e o Entorno Histórico do Centro, preparei um Roteiro Histórico-Turístico para ser realizado a pé, do "Marco Zero" (Rua Araújo Leite quadra 2) até a Estação Central, na Praça Machado de Mello. Uso esse roteiro na matéria que leciono na Universidade do Sagrado Coração, Patrimônio Cultural, e os alunos ficam surpresos em conhecer a nossa história e a riqueza do nosso Patrimônio Cultural a partir desse belo passeio. Enfim, devemos compreender os temores da leitora Zilda Palloni Somense e conhecer o que está sendo realizado para melhorar a nossa atuação como cidadãos bauruenses.

O autor, Fábio Paride Pallotta, é professor de história e colaborador de Opinião