Atenção, cinéfilos de plantão: segundo estudo da FGV sobre o IPC (Índice de Preços do Consumidor), quem aprecia "pegar um cineminha" está precisando desembolsar uma quantia maior do que o índice de inflação no mesmo período do ano passado. Segundo matéria veiculada pelo JC, o ingresso para as sessões de cinema sofreu um aumento de 8,6% em relação ao ano anterior, enquanto a inflação deste mesmo período foi de 5,5%. Como se não bastasse esse aumento, observamos nas salas de cinema uma repetição abusiva de determinados filmes, ao passo que um sem-número de outros filmes (brasileiros, europeus, documentários) sequer tem direito a uma mísera salinha de exibição nos locais que oferecem este tipo de entretenimento para os bauruenses.
Cito como exemplo de filme que não está em exibição por aqui "Xingu", do diretor Cão Hambúrguer. Este filme trata da expedição dos irmãos Villas-Boas pelos interiores do Brasil e o contato com os indígenas. Os irmãos acabam se tornando (talvez) os maiores defensores da causa indígena no Brasil. Ou seja, filme brasileiro interessantíssimo, obrigatório para nosso enriquecimento cultural e com personagens que viveram em Bauru. Há também documentários nas salas de cinema em cidades maiores, como a vida do músico Raul Seixas e do jogador Heleno, do Botafogo. Não sei se são bons. Pelas críticas, parece que sim. Aqui, não veremos. Como futuro frequentador, espero que o cinema do shopping a ser construído traga algumas opções diferenciadas para a mesmice bauruense, já que as que estão em funcionamento prezam pela repetição desmesurada de certos enlatados hollywoodianos. A resposta comumente utilizada para justificar a exibição de tantos filmes em relação a outros é a de que determinados tipos de filme não atraem tanto o público. A premissa pode ser até verdadeira, mas creio não ser o único indivíduo existente nesta cidade a dar uma olhadela no jornal procurando um filme interessante para assistir e desistir pela falta de opções. Esta é a crítica que um frequentador de cinemas se vê obrigado a fazer novamente ? altos preços, poucas opções. Até quando?
Bruno Emmanuel Sanches ? cientista social