09 de julho de 2026
Internacional

Argentina rejeita valor de ações da YPF


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Buenos Aires - O governo argentino anunciou ontem que vai revisar os “números” apresentados de forma “imprudente” pelos diretores da companhia petrolífera YPF, assim que tiver acesso as “informações secretas”. A afirmação feita ontem é do vice-ministro de Economia e interventor da YPF, Axel Kicillof, diante do Senado argentino.

 

“Havia muitas informações (da YPF) que não estavam disponíveis para as autoridades”, sustentou Kicillof, quem o meio empresarial considera com um dos principais articuladores da desapropriação da companhia petrolífera da espanhola Repsol.

 

Durante seu comparecimento ao Senado, onde  começou o trâmite do projeto de lei de desapropriação de 51% das ações da Repsol na companhia petrolífera argentina, Kicillof disse que a “YPF serviu de fonte de recursos para solver a expansão internacional” do grupo espanhol. “Bobo é quem pensa que o Estado deve ser estúpido e cumprir o que diz a empresa”, disse, acrescentando que a Repsol tem uma dívida de cerca de US$ 9 bilhões. 

 

 

 

1

,5 bilhões

 

A petroleira espanhola Repsol exigiu ontem que o governo argentino pague US$ 1

,5 bilhões (R$ 19,3 bilhões) por suas ações da YPF, que teve sua reestatização anunciada ontem pela presidente Cristina Kirchner.  

 

O presidente da Repsol, Antonio Brufau, acusou o governo Cristina de tentar “esconder a crise social e econômica no país” ao expropriar 51% das ações da YPF. Sugeriu ainda interesse argentino na exploração no campo de petróleo de Vaca Muerta - descoberta recente da Repsol. 

 

O valor estabelecido corresponde ao total de 57,43% dos papéis da petroleira nas mãos do grupo espanhol. A Repsol exige o cumprimento do acordo feito durante a privatização, nos anos 9

, pelo qual o governo deve lançar uma oferta sobre a totalidade das ações da empresa se quiser o controle de mais de 15% das ações. 

 

 

 

Rompimento

 

O premiê Mariano Rajoy falou pela primeira vez sobre o caso, que “rompe com as boas relações entre os países”. Ele disse que a decisão argentina pode prejudicar a América Latina. “O que aconteceu ontem a uma empresa espanhola pode acontecer amanhã com qualquer outro investimento”, declarou.  O chanceler espanhol, José Manuel García-Margallo, afirmou que a Argentina “deu um tiro no próprio pé”.

 

 

 

Petrobras terá reunião com Argentina

 

Rio - A presidente da Petrobras, Graça Foster, afirma que a estatal está cumprindo plenamente o plano exploratório estabelecido pela Argentina. Ela disse que questionará, em reunião com o governo argentino na próxima sexta, o cancelamento da concessão da Petrobras na província de Neuquén, ocorrido em abril.

 

“Fomos surpreendidos (pelo cancelamento). A reunião de sexta é importante para esclarecer as coisas”, disse ela, durante evento no Rio promovido pelo IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo).

 

A executiva, junto com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, irá se reunir em Brasília com o ministro do Planejamento argentino, Julio De Vido - designado pela presidente Cristina Kirchner como interventor na YPF.