09 de julho de 2026
Nacional

Sem-terra fecham estradas e invadem prédios em 21 Estados

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizaram ontem manifestações em 21 Estados, para lembrar o assassinato de 19 trabalhadores rurais sem-terra, ocorrido em Eldorado dos Carajás no dia 16 de abril de 1996. Ao todo, o movimento interrompeu o fluxo em rodovias de 21 Estados. A ação durou apenas 21 minutos, para manter a simbologia. Em Belo Horizonte, cerca de 1

integrantes do movimento ocuparam a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

 

O ministro de Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, vai anunciar amanhã quais reivindicações do MST serão acatadas pela pasta. A condição para a nova conversa entre governo e movimento é a desocupação de todos os edifícios públicos pelo País.

 

O MST já se comprometeu a fazer um levantamento e verificar quantos prédios foram invadidos. Assim que o mapeamento estiver pronto, os líderes do MST em Brasília tentarão convencer as bases da importância de acatar a decisão.

 

De acordo com o ministro, se o trato não for cumprido, as negociações, mais uma vez, serão interrompidas. 

 

Anteontem, um grupo de 1.5

pessoas invadiu o edifício do ministério, em Brasília, durante a madrugada. Desde cedo, eles impediram o acesso dos funcionários. Ainda no fim da manhã, Vargas divulgou uma nota de repúdio e destacou que reabriria o diálogo apenas após a liberação do prédio.

 

Ontem pela manhã, o movimento cedeu. Às 8h21, eles deixaram os corredores do ministério, mas devem permanecer por tempo indeterminado em frente ao prédio, com acampamento montado.

 

A pauta de reivindicações inclui, por exemplo, maior investimento para desapropriar terras no País. O documento está nas mãos do ministro desde quarta-feira da semana passada.

 

Uma das principais reclamações do MST é que o governo deixou a reforma agrária de lado. No site do movimento eles dizem que o processo “estagnou”.

 

Pepe Vargas comentou a queixa e atribuiu os problemas a governos anteriores. Segundo ele, houve épocas que o governo brasileiro “simplesmente jogou o pessoal em terra sem condições de produzir, distante de centros urbanos, distante de estradas, sem infraestrutura adequada”.

 

O ministro ressaltou que no ano passado houve o assentamento de 22 mil famílias, além do investimento em processos de assistência técnica e na contratação de novos servidores para lidar com o tema.