A poda irregular de árvores tornou-se um problema para a vegetação urbana de Bauru. De janeiro a abril deste ano, 51 árvores foram “sentenciadas” a cortes drásticos por conta de problemas fitossanitários, que são doenças provocadas pelo manejo errado ou retirada indiscriminada de galhos. Segundo a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), 31 autuações foram emitidas por conta deste quadro até o momento, mas estima-se que o número de irregularidades possa ser ainda maior.
Conforme explica o biólogo botânico Dorival Coral, ao realizar a poda de maneira indiscriminada, as pessoas acabam cortando os galhos em lugares errados e com ferramentas inadequadas, o que permite a entrada de parasitas, como fungos e cupins, que comprometem a estrutura básica da planta.
“Para se restabelecer da poda irregular, a planta gasta uma quantidade maior de energia para suprir a necessidade da massa folhar retirada. Com isso, a copa da árvore é danificada e fica suscetível aos parasitas, que acabam ajudando no enfraquecimento dela”, pontua.
Dados apresentados pela Semma revelam que, somente nos quatro primeiros meses deste ano, 235 árvores foram cortadas no município por apresentarem riscos e irregularidades na estrutura.
Entre as principais causas da supressão da vegetação urbana estaria o comprometimento da saúde das árvores por conta das podas irregulares, que sozinhas somaram 51 casos no município. Outros motivos para o corte autorizado seriam os danos causados pela vegetação presente em áreas irregulares, que somariam mais de 88 casos.
De janeiro a abril, a Semma emitiu 31 notificações a bauruenses que cometeram infrações ambientais, realizando podas ou cortes de árvores irregulares e sem autorização.
Atualmente, uma equipe formada por quatro funcionários é responsável pela situação das árvores em toda cidade.
Baixo efetivo
Os trabalhos no município contam com a parceria da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), que age em alguns pontos críticos. Segundo admite o próprio secretário da pasta, Valcirlei Silva, os trabalhos de podas realizados pelo efetivo, considerado baixo, têm sido feitos de acordo com as prioridades, e a fiscalização também acaba prejudicada. Casos que envolvem danos em fiação elétrica ou tubulação de água recebem mais atenção.
“Nós não temos pessoal e nem verba para levantar um dado sobre a quantidade de podas irregulares, a maioria acontece nos finais de semana. Temos uma única equipe trabalhando para solucionar o problema das podas e dos cortes na cidade. Dentro das nossas limitações, identificamos e fazemos as autuações”, avalia.
Com a defasagem do serviço prestado pela prefeitura, os moradores optam pela poda improvisada dos galhos, sem considerar o tempo e o local certos, além de não ter conhecimento sobre as características morfológicas da planta para as podas da espécie.
Para minimizar os efeitos e diminuir os riscos de doenças fitossanitárias, que acabam sentenciando árvores e arbustos à morte, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente realiza, anualmente, um curso de podas destinado ao público em geral. Neste ano, o evento será em outubro, entre os dias 18 e 19.
Autorizações
Além de possuir autorização da Semma para efetuar o corte ou supressão de uma árvore, também é preciso ter autorização para as podas de limpeza que visem retirar mais de 3
% da copa. O serviço deve ser realizado por profissionais credenciados. Para identificar um serviço autorizado, o pretendente deve entrar em contato com a secretaria por meio do telefone 3235-1
37.
Caso o morador prefira que a poda ou corte seja realizado pela prefeitura, deve protocolar um pedido no Poupatempo e aguardar o atendimento, que devido à grande procura e ao baixo efetivo, pode demorar para ser realizado.
A coleta dos galhos provenientes das podas também é feita pela Semma. As solicitações devem ser registradas na Divisão de Praças e Áreas Verdes pelo telefone 32
3-539
, assim como denúncias sobre árvores em espaços públicos que necessitem de poda/supressão.
Infrações por áreas em 2 11
Em 2
11, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) registrou 113 infrações envolvendo cortes ou podas irregulares de árvores nos bairros de Bauru. O setor campeão de infrações compreendeu as regiões do Jardim Ouro Verde, Vila Santista e Vila São Francisco, com 37 ocorrências registradas.
Em segundo lugar aparecem a Vila Cardia e o Núcleo Presidente Geisel, com 12 infrações. Outro setor com a mesma quantidade de ocorrências compreende a região do bairro Vista Alegre e Núcleo Habitacional Beija-Flor. Já a região Centro-sul da cidade aparece em último com sete registros.
De acordo com o biólogo botânico Dorival Coral, as árvores da espécie sibipiruna e oiti, de grande e médio portes, respectivamente, por serem as mais populosas na cidade também são as mais afetadas pela poda drástica.
Cinquentenárias, algumas sibipirunas foram plantadas numa época em que Bauru não possuía um projeto adequado para a flora urbana. Ao longo dos anos, o porte dessa planta se tornou inadequado para a estrutura da cidade, resultando em danos na rede elétrica e tubulações de esgoto.
No lugar da sibipiruna surgiu a oiti. Por conta do médio porte e por apresentar um formato para realização de podas ornamentais, é cada vez mais comum. Atualmente, a oiti é responsável por 53% da vegetação na área Centro-sul da cidade.
Cortes revoltam moradores
Dois casos envolvendo podas e cortes de árvores revoltaram moradores de um residencial e de um bairro na zona sul de Bauru. Eles alegam que os serviços teriam sido feitos de maneira irregular no começo deste mês. Sobre as acusações, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) afirmou que a supressão das seis árvores realizada na zona sul foi autorizada mediante laudo técnico de um engenheiro.
Já sobre a poda de uma árvore no condomínio, a Semma alega não ter conhecimento sobre o caso e diz que irá analisar o fato, que foi registrado em boletim de ocorrência.
O fato aconteceu na quadra 4 da rua Lázaro Rodrigues, no Jardim Europa, quando na primeira semana de abril funcionários da Semma realizavam a poda e o corte de seis árvores. Um morador das proximidades fotografou o episódio e enviou as imagens para o JC. Para ele, os cortes foram feitos pela secretaria de maneira sistemática, sem considerar um projeto para replantar e reflorestar o centro urbano.
Ainda na denúncia, o morador relata a indignação em relação a outras três árvores que teriam sido cortadas da quadra 1
da rua Manoel Bento Cruz, fato que se somou ao outro episódio e o levou a denunciar o caso.
Questionada, a Semma afirmou que o pedido de corte e poda das árvores na Lázaro Rodrigues foi realizado por meio de um laudo técnico emitido por engenheiro civil em fevereiro deste ano e, por isso, teria sido autorizado pelo órgão.
Já o caso registrado por moradores do condomínio Jardins do Sul revela que uma árvore de aproximadamente 7 metros de altura, de espécie remanescente do cerrado, localizada em uma área de preservação no residencial teria sido cortada irregularmente.
“A poda foi realizada de forma a desestabilizar completamente a árvore provocando desequilíbrio de copa do exemplar de Faveiro (Peltophorum dubium), que é remanescente de mata de cerrado em estágio médio de regeneração”, cita a denúncia.
Sobre a suposta irregularidade, os moradores do residencial registraram um boletim de ocorrência na Polícia Ambiental. Em relação às podas, o síndico teria informado aos moradores que possuiria autorização para o procedimento, entretanto, ao consultar a Semma sobre o caso, a equipe do JC foi informada de que a secretaria não sabia da poda e que o caso será averiguado pelo órgão municipal.
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