10 de julho de 2026
Geral

?Queremos água?, pedem moradores há três dias

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 5 min

“Queremos água.” Esta é a reivindicação dos moradores do Jardim Marília, que na manhã de ontem, numa clara demonstração de desespero diante de um problema recorrente em Bauru, chegaram a apedrejar um ônibus do transporte coletivo durante manifestação contra a falta de água que acomete o bairro há três dias.

 

De acordo com informações da assessoria de imprensa do Departamento de Água e Esgoto (DAE), o problema foi causado por um defeito em uma bomba do Poço Gasparini, que além do Jardim Marília e da vizinha Vila Garcia, afetou ainda outros bairros (leia mais na página 9).

 

O protesto no Jardim Marília aconteceu por volta das 11h de ontem e mobilizou quatro viaturas da Polícia Militar (PM) para conter a revolta dos cerca de 3

moradores, que decidiram sair às ruas para reclamar e chamar a atenção da administração municipal para a falta de água no bairro.

 

Segundo os relatos da população à reportagem do JC, o fracasso nas diversas tentativas de respostas ou solução do problema junto ao DAE fez com que eles se revoltassem e parassem um ônibus que faz o trajeto no bairro, localizado na região norte da cidade, próximo à Vila Garcia.

 

A dona de casa Iraci Domingues dos Santos, 39 anos, que participou da manifestação, ressalta ter ligado diversas vezes no DAE para pedir o deslocamento de um caminhão-pipa para atender às necessidade dos moradores.

 

“Ligamos várias vezes no DAE e eles disseram que uma bomba no Gasparini estaria quebrada e que iriam consertar, mas os dias se passaram e nem um pingo de água saiu das torneiras. Para piorar, nem o caminhão-pipa eles mandaram. O bairro é distante de tudo e a maioria é pobre, não tem como ficar comprando água”, reclama a moradora.

 

 

 

Sem banho

 

Segundo ela, alguns vizinhos estariam há três dias vivendo com o mínimo de água possível que restaram em baldes, enquanto outros se desesperavam com a situação de não poder nem mesmo ir ao banheiro ou cozinhar.

 

“Estou há mais de um dia sem colocar um pingo de água na boca e tenho uma filha de 1 ano que precisa de água e alimento”, reclamou à polícia a dona de casa Carolina Gonçalves de Jesus, mãe de Yasmim Rafaela de Oliveira Gonçalves.

 

O técnico de operações Reinaldo Alves da Costa, 34 anos e sua esposa Elaine Aguiar, 37 anos, também lamentaram a seca das torneiras da casa. “Tem gente que não está nem indo trabalhar por vergonha de não poder tomar um banho. Isso é um absurdo, não dá para viver assim”, relata Reinaldo.

 

De acordo com os moradores, a situação sobre a falta de água no bairro durante os últimos dias não seria um caso isolado. “Desde o tempo em que eu moro aqui isso acontece, sempre quebra essa bomba”, completa Elaine.

 

Ontem à tarde, ao ser questionada pela reportagem do JC, a assessoria de imprensa do DAE rebateu as informações dos moradores e informou que, anteontem, manteve três caminhões-pipa rodando pelos bairros afetados pela falta d’água. Ontem o procedimento teria sido repetido, mas não foi informada a quantidade de caminhões disponibilizada.

 

 

 

Apedrejamento

 

Muito exaltados, durante a manifestação ocorrida ontem no Jardim Marília dois rapazes acabaram atirando pedras e esvaziando o pneu de um ônibus do transporte coletivo que passava pela quadra 6 da rua Brasilino de Carvalho. 

 

Por conta da ação, a Polícia Militar (PM) foi chamada e acabou detendo os dois manifestantes, que foram encaminhados ao plantão da Polícia Civil. Após serem ouvidos pelo delegado, foi elaborado um boletim de ocorrência por danos e eles foram liberados. A janela traseira lateral do ônibus ficou estilhaçada.

 

Os próprios moradores do bairro consideraram a situação “injusta”, mas alegaram não ter encontrado outro meio de chamar a atenção para a situação que vivem, que inclui ainda outras reclamações, como a da dificuldade de atendimento médico.

 

“Parar o ônibus foi a única maneira que encontramos de chamar a atenção de alguém. O motorista não quis estacionar, por isso eles acabaram tacando a pedra. Esses dois rapazes que foram presos são pais de família e também estavam cansados de ouvir seus filhos pedindo água”, afirma Cristiane Gonçalves de Jesus, 22 anos.

 

 

 

Famílias andam de um bairro a outro para entrar na fila e conseguir água em um caminhão-pipa

 

Com a intervenção da Polícia Militar (PM) após o apedrejamento do ônibus na manhã de ontem, um caminhão-pipa do DAE foi enviado à Vila Garcia para atender a população de lá e do Jardim Marília, que estavam com problemas de falta d’água há três dias. 

 

Por volta das 14h, os moradores formaram filas para encher os baldes com a água que era distribuída pelo caminhão estacionado na quadra 2 da rua Júlio Simões, a quase 2

quarteirões de distância do local onde a manifestação foi realizada.

 

Após a caminhada até o caminhão-pipa, o morador Oséias da Silva conseguiu encher os baldes com a ajuda da filha Milena Graziele da Silva, 5 anos, e Taís da Silva Ambrogi, 7 anos. 

 

Apesar da situação ter sido controlada, os moradores pedem para que outros caminhões sejam enviados ao local para o abastecimento, principalmente no Jardim Marília, onde pessoas com deficiências físicas e algumas mães com crianças pequenas teriam ficado sem água por não chegar a tempo ao local.

 

Para ter pelo menos o mínimo de água em casa, Cintia Gonçalves de Jesus improvisou e foi com sua filha no carrinho de bebê buscar o líquido precioso até o caminhão-pipa.

 

“O pessoal se uniu e foi buscar água de carroça, mas ao chegarem lá, o caminhão-pipa do DAE já tinha ido embora”, reclama Iraci dos Santos.