08 de julho de 2026
Geral

Problema deixou mais de 7 mil na ?seca?

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 6 min

O problema que culminou com a ação desesperada dos moradores do Jardim Marília ontem afetou o abastecimento de, no mínimo, mais cinco bairros. Ao todo, segundo o próprio Departamento de Água e Esgoto (DAE), foram mais de 7 mil bauruenses prejudicados. O defeito teria ocorrido no Poço Gasparini (UP-25), o mesmo da bomba que durou apenas 15 dias no ano passado, comforme o JC divulgou.

 

Por meio da assessoria de comunicação, a autarquia explicou que foram constatados problemas técnicos na segunda-feira na bomba do poço. “Motivo pelo qual alguns bairros da região do Gasparini, como Jardins Helena, TV, Bela Vista, Vila Garcia e Índia Vanuíre, sofreram desabastecimento”, afirmou, em nota.

 

Segundo o DAE, equipes estiveram no local e efetuaram reparos nos cabos elétricos e na própria bomba, sendo o abastecimento normalizado ontem. 

 

Questionada sobre qual seria este problema, a autarquia se limitou a dizer que “quando qualquer problema técnico é apresentado em uma bomba, a mesma é enviada para o fabricante detectar o problema”.

 

Em relação à demora de mais de dois dias para regularizar a questão, o DAE culpou a profundidade do poço e o peso da bomba. “O Poço Gasparini (UP-25) tem 393 metros de profundidade, portanto, a bomba que fica instalada no mesmo é pesada e grande. Deve ter cuidado na hora de retirá-la para não danificar o poço”.

 

Uma pergunta feita à autarquia e que ficou sem resposta foi sobre o sistema de reservação do poço. Tal sistema serviria exatamente para que o abastecimento não ficasse comprometido enquanto o problema fosse resolvido. 

 

A assessoria de comunicação não informou a atual situação do sistema ou mesmo se ele existe. A única informação foi de que existe uma bomba reserva no poço.

 

 

 

A bomba

 

Além de saber qual foi o problema apresentado na bomba, é necessário esclarecer sobre as condições do próprio equipamento. Na tarde de ontem, a reportagem questionou o DAE sobre quando a bomba fora instalada no Poço Gasparini, porém, não houve respostas.

 

No meio do ano passado, o mesmo poço já foi alvo de grande polêmica. Na ocasião, uma bomba instalada há apenas 15 dias deixou de funcionar. A “vida útil” de uma bomba é, em média, dois anos. Algumas, porém, funcionam por muito mais tempo.

 

Naquela época, a bomba foi retirada para que o defeito fosse verificado. Uma nova foi instalada no lugar. A assessoria do DAE, entretanto, não confirmou se esta substituta foi a que apresentou problemas nesta segunda. Caso seja, a duração também está bem abaixo da “vida útil” dos equipamentos.

 

 

 

24 horas?

 

Em relação ao tempo para a manutenção dos vazamentos, a autarquia, por meio de sua assessoria de comunicação, explica que a prioridade são aqueles que apresentam maior volume e com afundamentos ou buracos nas vias públicas. “O prazo para conserto, nesses casos, é de 24 horas”, aponta, em nota. Prazo bastante diferente do que o reclamado pela população.

 

Para os vazamentos considerados pequenos, o DAE afirma que é feita uma sinalização no local e, depois, uma programação para os reparos. O prazo máximo nestes casos, entretanto, não foi divulgado.

 

Em relação às reclamações pontuais, a autarquia apontou que o conserto na quadra 1 da rua Francisca Munhoz Moreno estava previsto para ontem, assim como o da Maria Aparecida Oliveira Silveira. Já sobre o vazamento no cruzamento entre a avenida Duque de Caxias e a rua Paraná, a autarquia não deu previsão para a manutenção.

 

O DAE alerta que as reclamações de vazamentos de água e esgoto em vias públicas devem ser transmitidas ao Serviço de Atendimento ao Público (STAP), que fica disponível 24 horas, por meio do telefone

8

-771

195.

 

 

 

Poço dos desejos

 

Apesar de não ser a solução de todos os problemas, o poço da Vila Cardia, localizado na quadra 2 da avenida Cruzeiro do Sul, vai aliviar o contexto atual de falta de água em Bauru. Apesar de a assessoria do Departamento de Água e Esgoto (DAE) afirmar que não há atraso, a autarquia tinha prometido entregá-lo no começo deste ano, conforme veiculado no JC em outubro de 2

11.

 

Após algumas mudanças no cronograma, o DAE informou ontem que o processo está em conclusão e que o poço deve estar funcionando dentro de 3

dias. Este poço irá explorar 18

mil litros de água por hora do Aquífero Guarani e a vazão prevista é de 2

metros cúbicos por hora.

 

 

 

Tubulação centenária

 

Não é apenas o Santos Futebol Clube que completa 1

anos em 2

12. De uma forma muito menos em alta do que o time do litoral paulista, a tubulação do DAE também “festeja” o centenário. Mas enquanto no futebol a data significa tradição, no caso de Bauru quer dizer precariedade. 

Datados de 1912, os tubos da rede de água foram fabricados em ferro e são bastante propícios a vazamentos.

 

De acordo com especialistas, o correto seria uma tubulação de PVC, que é mais moderna e o risco de rompimento é muito menor. 

 

Em reportagem veiculada no ano passado, Bauru tem cerca de 3.17

quilômetros de dutos enterrados, sendo 1.6

quilômetros servem a rede de água e 1.57

quilômetros a de esgoto.

 

Na cidade, cerca de 98% das residências contam com fornecimento de água encanada e 9

% com coleta de esgoto.

 

 

 

Em meio à seca, há um ‘oásis de desperdício’

 

A situação do Departamento de Água e Esgoto de Bauru criou um paradoxo na cidade. Enquanto a falta de água levou alguns bauruenses ao desespero, outros não param de reclamar que, como um oásis, a água transborda do chão em vários pontos do município. As centenas de vazamentos e a demora em consertá-los revoltam os moradores.

 

Um dos principais motivos do problema seria a tubulação antiga, que completa 1

anos em 2

12 (leia mais ao lado). Segundo a assessoria de imprensa da autarquia, são registradas, em média, 55 reclamações diárias de vazamentos. Destas, 35 são de água e 2

de esgoto.

 

Marco Antônio Rosa, 35 anos, engrossa esta estatística. Ele é proprietário de um estabelecimento de peças automotivas no cruzamento da avenida Duque de Caxias com a rua Paraná, no Parque Paulistano. Ali, ele afirma ter acompanhado a “trajetória” de um vazamento de água. “Há cerca de quatro semanas, era um vazamento bem pequeno. A cada semana que passa está aumentando. Hoje, está uma poça bem grande”, diz Marco Antônio, indignado. 

 

Outro que não se conforma com a situação é o aposentado Jesus Adriano dos Santos, 59 anos. O morador da Vila Dutra conta que, há 15 dias, grande quantidade de água jorra na quadra 1 da rua Francisca Munhoz Moreno. “Dava para lavar Bauru inteiro com esta água”, exacerba.

 

Ele afirma que acionou várias vezes o DAE, porém, “ninguém foi nem ver o problema”. A poucos metros dali, na quadra 5 da Alameda General Alfredo Malan D’angrogne, teria surgido outro vazamento.

 

Situação que se repete no Parque das Nações. Lá, Genivaldo Ferreira Godin, 51 anos, afirma ter vivido uma verdadeira “peregrinação” para que o problema da quadra 1 da rua Maria Aparecida Oliveira Silveira fosse resolvido. “A água que vaza descia por mais de duas quadras. Isso ficou por mais de 2

dias. Íamos ao DAE, eles falavam que iam resolver e nada. Só hoje (ontem) consertaram”, afirma.