09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

ADONIRAN BARBOSA RESPONDE AOS BOÊMIOS


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Olá, amigos de Bauru, meu nome de batismo é João Rubinato. Vim ao mundo em 6 de agosto de 1910, na cidade de Valinhos - SP e fui embora no dia 23 de novembro de 1982, da minha querida São Paulo ? SP. Não se assustem, sou eu mesmo, Adoniran Barbosa, compositor, cantor, comediante, ator e boêmio! Estive na bela "Cidade sem Limites" nos dias 14 e 15 de abril, mais precisamente no Teatro Municipal, que leva o nome da grande Mestra "Dona Celina", a convite de um ardoroso fã meu que por aí vive e que assina esta carta lá embaixo, em meu nome. Como fui homenageado, meu Deus! Que festa! Apesar de estar vivendo na eternidade, graças aos "Boêmios de Adoniran", voltei às décadas de 50, 60, 70, 80, onde minhas músicas tocavam em todas as emissoras de rádio de São Paulo! Que saudade!

Minha Saudosa Maloca foi reconstruída, meu Trem das Onze voltou a correr pelos trilhos, enternecendo os corações dos passageiros emocionados. Meu grande amigo Ernesto, que deu o maior cano lá no Brás, apareceu pra me convidar de novo pro seu samba e praticar Tiro ao Álvaro. Que alegria imensa tomou conta de minha imortal alma! Se já não estivesse morto, com certeza morreria de felicidade! Foi uma gigantesca prova de carinho desses artistas maravilhosos! Senti até aquele friozinho manero das noites de boemia que vivi no Bixiga, contemplando com os olhos marejados As Mariposas que se aqueciam no prato da lâmpida! Voltei à minha juventude, apesar de ter morrido já um pouco velho, pois eu soube envelhecer, modéstia à parte! Muito embora saiba que estou dormindo o sono eterno, mas que vontade que me deu de dormir lá no Abrigo de Vagabundos, no arto da Móoca! Lembro-me bem que eu ainda não tinha morrido quando o Jacó prometeu a gravata! E até hoje ele não deu! Que desejo louco me deu de Tocar na Banda junto com esse pessoal genial!

Tão genial, que não esqueceram, quando faltou luz, de pedir pra minha nêga: - Acende o Candeeiro! Confesso também que me culpo até hoje de ter atropelado a Iracema na minha música, mas o chofer num teve curpa, pacência, Iracema, pacência. Saindo aqui de Bauru, vou matar a saudade lá em São Paulo e passear no viaduto Santa Efigênia, sem assustar ninguém, prometo. Antes disso, deixo um beijo a todos os integrantes dos "Boêmios de Adoniran", esse musical espetacular, essa criação genial, essa festa de cores, harmonia e musicalidade, retratando a minha história como ninguém o fizera antes. Parabéns, muito sucesso e se voltarem a Bauru, e espero que voltem em breve, não se esqueçam de me avisar. Vide verso meu endereço: Adoniran Barbosa, na Eternidade!

Fernando Lucilha Júnior ? fã de carteirinha de Adoniran e, muito orgulhoso, pai da Iracema (Juliana Lucilha) e sogro do João (novo) Thiago Toledo