08 de julho de 2026
Geral

Preço da carne cai até 20%

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 5 min

Apreciadores de carne e de um bom churrasco têm mais alguns dias para correr aos supermercados e pagar menos pelo produto. Entre dezembro de 2

11 e março deste ano, o preço da carne em Bauru registrou queda média de 2

%, especialmente alguns cortes bovinos. 

 

A redução se deve ao período propício das pastagens, beneficiadas pelas chuvas, e ao poder de negociação dos grandes estabelecimentos com frigoríficos. Nos últimos dias, uma série de promoções também atraíram os consumidores.

 

“Acredito que este seja um dos últimos finais de semana em que a carne estará mais barata”, alerta o diretor regional da Associação Paulista dos Supermercadistas (Apas), Erlon Godoy Ortega. Ele já detecta uma ligeira alta de 4% em alguns estabelecimentos.

 

Aproveitando as ofertas das peças de carne bovina, que até na próxima semana deverão retornar ao “preço de tabela”, a auxiliar odontológica Solange Cecília Clérigo Forcin, 48 anos, foi ao supermercado ontem fazer as compras da semana. 

 

“O coxão mole está com uma diferença de quase R$ 4,

aqui. Eu vim preparada para comprar frango, mas o preço me fez mudar de ideia”, afirma a consumidora.

 

O aposentado Takahaki Kurokawa, 59 anos, apesar de admitir que consome mais peixes do que carne vermelha, também aproveitou a diferença nos preços para levar o produto em oferta para casa.

 

“Consumo mais peixes, mas hoje vou comprar carne de panela. O preço está bom”, diz o aposentado, que pagou R$ 9,98 no quilo do músculo, que segundo o açougueiro do estabelecimento, custaria R$ 1,

a mais no preço original.

 

Com ofertas que ocorrem sempre aos finais de semana, as carnes para churrasco, apesar de registrarem aumento nos últimos dias em alguns supermercados, conforme o diretor da Apas ressalta, ainda estão com preços baixos em vários estabelecimentos. 

 

Conforme pesquisa de preços feita pelo Jornal da Cidade, a picanha, por exemplo, de R$ 32,8

(o quilo) pode ser encontrada por R$ 27,9

em algumas unidades e até por R$ 22,9

em outras.  O preço do quilo do coxão mole para bife também chama a atenção: de R$ 14,7

, pode ser encontrado por até R$ 12,8

(veja na ilustração ao lado).

 

 

 

Negociação

 

Para o gestor de compras de uma rede de supermercados de Bauru, Pedro Sérgio Baptista, o preço baixo das carnes bovinas se deve ao poder de negociação dos grandes estabelecimentos com fornecedores.  “Negociamos o preço com os fornecedores por meio do volume de compras que é feito. Com a divulgação conseguimos atingir o consumidor e, assim, vender mais”, explica o gestor.

 

A mesma opinião é dividida pelo responsável pelo setor de compras de carnes de outro estabelecimento, José Francisco Ismanhoto. “Um estoque de carne nos supermercados dura no máximo 2

dias. Neste final de semana, as carnes, principalmente para churrasco, estarão com bons preços porque são as que foram negociadas após a Páscoa, ou seja, no final da baixa da arroba do boi”, complementa.

 

O fenômeno, segundo Erlon Godoy Ortega, da Apas, também pode ser explicado porque, tradicionalmente após o final do ano, período em que os preços das carnes sobem por conta do aumento na demanda, existe uma queda que se refere à Quaresma. 

 

“Passou esse período de Quaresma e de Páscoa, o preço começa a subir novamente. Os preços devem se restabelecer neste mês de abril, com a chegada do clima mais frio e a redução da disponibilidade do produto no mercado”, ressalta o diretor regional da Apas.

 

 

 

O poder é do consumidor

 

Para o diretor regional da Apas, Erlon Godoy Ortega, a redução de preços das carnes, apesar de depender de fatores como as pastagens e o confinamento do gado, poderia ser controlada se houvesse reflexão por parte dos consumidores.

 

“Os preços do frango, do peixe e até dos suínos são convidativos. Se o consumidor soubesse migrar e fizesse isso de maneira conjunta, a demanda pela carne diminuiria e o preço também. O poder da redução dos preços está nas mãos do consumidor”, aponta Erlon.

 

Após o período de Quaresma, os estoques de peixe nos supermercados estão sendo vendidos com promoções que chegam a reduzir em até 1

% os valores.

 

O preço do frango também está convidativo. Para quem gosta de um bom churrasco de coxa e sobrecoxa, o quilo do produto está cerca de 4

% mais barato, chegando a R$ 3,2

.

 

 

 

Preços x pastagens

 

De acordo com o assistente da direção regional da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) da Secretaria de Agricultura do Estado, Luis César Demarchi, o efeito da variação dos preços ocorrida desde dezembro em alguns estabelecimentos tem relação direta com a época do ano favorável à pastagem.

 

“De outubro a março temos um período climático favorável para a pastagem do gado, o que significa menos gasto com confinamento e maior volume, pois no pasto se cria muito mais bois de modo mais rápido e a um preço melhor que no confinamento”, explica.

 

Segundo ele, entre os meses de fevereiro e março, os pecuaristas se apressam para vender os animais aos frigoríficos para que na época de inverno e seca gastem apenas o programado com o confinamento dos animais de corte.

 

A arroba do boi apresentou nos últimos meses uma variação de cerca de 4%. De R$ 94,

que eram praticados no início deste ano, o preço atualmente está em torno de R$ 98,

 

Conforme Demarchi, a expectativa é de que o valor chegue a R$ 1

5,

nos próximos meses.

 

Apesar da redução, ele também considera que, há cerca de 15 anos, quando o preço da arroba do boi costumava variar cerca de 3

%, o consumidor era ainda mais beneficiado com as ofertas.

 

“O aumento do número de gado confinado traz uma certa estabilidade para os frigoríficos hoje e faz com que os preços, que são repassados ao consumidor, não variem muito. Na verdade, a redução de preço só acontece quando existe uma boa negociação com fornecedores e comércio”, finaliza o assistente da direção regional da Cati.