08 de julho de 2026
Geral

Bomba colocada em poço é a mesma que quebrou em 15 dias

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

A bomba substituta instalada no Poço Gasparini e que “solucionou” o problema do desabastecimento de mais de 7 mil pessoas esta semana é uma “velha conhecida” do bauruense. O equipamento é o mesmo que, no mesmo poço, parou de funcionar 15 dias após ter sido instalado, em junho do ano passado. Apesar da primeira impressão negativa, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) garante que todos os testes foram feitos antes de recolocá-la.

 

De acordo com Igor Beckmann Fournier, diretor da Divisão de Produção e Reservação de Água do DAE, foram trocados os cabos de saída desta bomba. “Sempre que vamos colocar uma bomba, seja nova ou não, fazemos vários testes. Esta foi testada e está tudo bem”, aponta.

 

O problema polêmico ocorreu no meio ano passado. Na ocasião, após a quebra logo após a instalação, a bomba foi levada ao conserto e outra foi colocada em seu lugar. Esta, porém, foi a que parou de operar no início desta semana, deixando mais de 7 mil pessoas na “seca”. O desabastecimento em vários bairros causou depredação de um ônibus e até a invasão do DAE por um jovem que tentava se banhar na autarquia.

 

A quebra precoce de ambas as bombas no Poço Gasparini preocupam. Sabe-se que a vida útil de tais equipamentos varia entre um ano e meio e até dez anos. Fournier afirma desconhecer este prazo de vida útil, porém, concorda que certamente é maior do que o vivido pelas duas bombas.

 

Em relação a esta última que quebrou, o diretor afirma que ela foi encaminhada ao fabricante para o problema ser avaliado. “Só desmontando saberemos o que aconteceu. É aí que poderemos saber se é algo próprio do equipamento ou mesmo algum fator do poço”.

 

 

 

Seca

 

Se os problemas criam situações caóticas (leia mais abaixo), o DAE revela que, sem haver qualquer imprevisto, a situação não é boa. Igor Fournier explica que a autarquia, mesmo funcionando no máximo da capacidade, não consegue suprir a demanda inteira de Bauru.

 

Isto significa que, todo dia, faltará água em algum lugar da cidade. O diretor conta que é feito uma espécie de revezamento entre regiões altas e baixas no município. “Temos que fazer esta manobra. O consumo transcende o poder do DAE”, relata.

 

O engenheiro da autarquia, Fábio Randi, ilustra o problema com uma metáfora. Segundo ele, a situação é como um “cobertor curto”. “Nós cobrimos os pés e a cabeça fica de fora”, completa. 

 

A solução – ou forma de amenizar – do problema seria o início do funcionamento de seis poços, previstos para até o fim deste ano. “Esta é a única maneira. É investir na produção. Até lá, a população vai ter que economizar água e ter paciência”, afirma o engenheiro.

 

 

 

Vazamentos

 

E enquanto alguns bairros bauruenses sofrem ainda com a falta de água, outro problema que também parece não ter solução são os vazamentos. Por toda a cidade, a água jorra do chão e o desperdício indigna. Um dos principais motivos do problema seria a tubulação antiga, que completa 100 anos em 2012.

 

Na quadra 2 da Campos Sales, os moradores afirmam que o problema ocorre há mais de 30 dias. “Acionamos o DAE, eles olharam e foram embora. Até agora, ninguém fez nada”, afirma o comerciante Reginaldo Machado Farias, 39 anos.

 

Longe dali, na quadra 3 da rua Admar Leopoldo Ghelardi, no Núcleo Habitacional Nobuji Nagasawa, o problema também persiste. E, segundo o mecânico André Luiz Lourenço Fernandes, 33 anos, há mais de dois meses. “Eu e o vizinho já denunciamos várias vezes e nada”.

 

 

 

Bairro Vânia Maria deverá continuar sem água

 

A chuva que caiu no fim da tarde de ontem foi uma dádiva para os bauruenses que estão “na seca”. Foi assim para os moradores do bairro Vânia Maria. Apesar de algumas partes do bairro já estarem com o abastecimento normalizado, outras ainda estão na “seca”. E a questão é crítica. O próprio Departamento de Água e Esgoto (DAE) afirma que só um novo poço pode amenizar o problema.

 

Ontem, o aposentado José Carlos Posca, 60 anos, foi até o Ministério Público denunciar o drama vivido pelos moradores. “Não sei mais o que fazer”, desabafa. No dia anterior, o aposentado foi até uma “bica” do DAE, localizada nas proximidades da praça da Bíblia, e se banhou. 

 

Segundo Igor Beckmann Fournier, diretor da Divisão de Produção e Reservação de Água do DAE, o local onde mora José Posca é crítico. “O reservatório precisa estar com o nível bastante elevado para que a água tenha pressão suficiente e chegue até lá. Isto não está acontecendo”, afirma.

 

O diretor aponta que a única solução real é a perfuração do poço do Bauru 16. No ano passado, foi aberta a licitação para o poço. Porém, após questionamentos, a licitação foi impugnada. “Nos próximos dias, o edital vai abrir novamente”, prevê.

 

Porém, a população parece não conseguir mais esperar. “O prefeito aparece dizendo que temos que esperar e ter paciência até o ano que vem. Como vamos fazer isso? Estamos sem tomar banho e sem ter água para fazer comida”, rebate o aposentado José Posca, em tom de desabafo.