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Neide Carlos |
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Jovens empreendedores contam sobre como alcançaram o sucesso |
Dizem que para chegar ao sucesso e assumir cargos de alta responsabilidade é necessário estar calejado. No entanto, bagagem profissional não significa, necessariamente, cabelos brancos e algumas rugas na testa. Uma nova safra ocupa os mais altos escalões no meio corporativo, bem-sucedida à frente do próprio negócio ou com a missão de governar os rumos de uma cidade inteira, por exemplo.
A maior presença de “sangue novo” em importantes cargos, mesmo com menor experiência prática do que os mais vividos (e nem por isso menos eficientes nas mesmas funções) é justificada, entre outros motivos, pelo espírito desbravador e mais destemido da nova “safra” de líderes.
Por “livre e espontânea pressão”, como o próprio gosta de definir, Júlio Kanashiro Neto, hoje com 31 anos, colocou literalmente a “mão na massa” para auxiliar nos negócios da família. Na época com 24 anos, ele assumiu a co-direção da Massas Pedroni, empresa do ramo alimentício instalada no Distrito Industrial II de Bauru, ao lado do pai e do tio.
Com a saída de um sócio, explica Júlio, foi inevitável arregaçar as mangas para que os planos de fabricar massas (anteriormente a firma dedicava-se apenas à produção de maquinário para outras empresas do ramo) não naufragassem. “Foi o momento em que ou fechávamos e retornaríamos ao ramo anterior, ou então mergulharíamos de cabeça. Ficamos com a segunda opção”, orgulha-se.
Kanashiro é um dos exemplos de juventude que assimilou muito rápido as responsabilidades do adulto mundo dos negócios. Além da seriedade corporativa, o jovem também, paralelamente, assumiu encargos familiares. Casado há cinco anos e pai há 18 meses, Júlio relembra o início da participação na empresa.
As maiores dificuldades, observa ele, era convencer clientes e fornecedores de que tinha a mesma bala na agulha dos mais experientes na hora de negociações. “Me olhavam com certa desconfiança”, lembra ele, que diz ter acabado com qualquer olhar de canto com atitudes, observa ele, mais valiosas do que cifras. “Palavra vale muito mais do que dinheiro”, valoriza.
O exemplo de Kanashiro, que encontrou uma forma de driblar uma situação incômoda – no caso dele a desconfiança – se atrela a outros casos de jovens líderes em seus ramos de atuação. O arrojo para descascar abacaxis, apontam especialistas, é um dos pontos fortes dessa nova fornada de profissionais bem sucedidos.
“É uma geração que procura mais as saídas para os problemas, busca evidências. Encara o perigo de uma forma não tão ‘perigosa’”, analisa o psicólogo cognitivo Arnaldo Vicente, do Centro de Psicologia Cognitiva (CTC) de Bauru.
Jovens que, até mesmo antes dos 30, são bem sucedidos financeiramente ou exercem cargos de liderança, conforme o psicólogo, ao menos em maioria, ignoram mitos e crenças sobre eventuais fracassos.
A rapidez para a tomada de decisões e um estilo “multitarefas” de trabalhar, acentua Vicente, são outros diferenciais da geração que já colhe resultados importantes na faixa dos 20 aos 40 anos. “Não que os jovens consigam pensar e realizar atividades diversas de forma simultânea”, pondera.
“Acontece que eles mudam o foco intermitentemente e se concentram mais rápido ao trocar o centro da atenção”, diferencia.
Essa mudança, entretanto, não é fruto de algo recente, salienta o especialista. Vicente observa que essas características da atual geração entre os 20 e 40 anos é resultado de um constante processo evolutivo. “A estrutura cerebral muda conforme a necessidade do indivíduo”, explica.
“É um combinado de fatores evolutivos. Quanto mais se realiza uma atividade, mais rapidez e habilidade são desenvolvidas. É isso que a molecada faz. Mas também há uma evolução biológica”, acentua. “Nossa capacidade de criação é ilimitada”, decreta.
Cognitivo
Todas essas características cognitivas se unem ao próprio meio onde os líderes da nova geração surgem, pontua o administrador de empresas César Bullara.
Professor do Departamento de Gestão de Pessoas do Instituto Superior da Empresa (ISE), em São Paulo, ele relaciona o novo perfil – e idade – dos líderes ao próprio momento atravessado pelo País. “O Brasil vivencia uma fase de crescimento. É natural que profissionais mais novos assumam postos importantes antes reservados a pessoas de mais idade”, atribui.
Mestre e Doutor em Filosofia pela Pontifícia Universidade “Santa Crocce” de Roma, Bullara ressalva que sangue novo a frente de importantes funções é bom. Melhor ainda, pondera, se bem orientada justamente pelos mais experientes ou através de treinamento específico e abrangente. “É fundamental o treinamento claro. Não é necessário somente pique, rapidez. Estratégia e cuidado são exigidos também”, acentua.
Essa mescla com a experiência prática também é vista com bons olhos pelo diretor do escritório regional em Bauru do Conselho das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Domingos Malandrino. “A experiência prática é menor, por isso é importante respeitar o momento transitório, mesmo em meio a toda a rapidez do atual mundo dos negócios”, conceitua.
Uma boa forma do jovem líder se inserir totalmente na vida da empresa é participar, antes mesmo de assumir um cargo formalmente, de atividades ligadas ao empreendimento, direta ou indiretamente.
“É necessário assimilar experiências, trazer o jovem para dentro do cotidiano da empresa, participando de iniciativas internas ou de atividades junto às entidades de classe”, frisa Malandrino, anunciando a breve reativação do Núcleo de Jovens Empreendedores do Ciesp em Bauru. “O jovem tem de assimilar experiências e assumir a visão do nós antes do ‘eu’”, conceitua.
Caiu na rede... é líder
Outro diferencial da atual e nova geração de gestores de sucesso, na análise do diretor do escritório de Bauru do Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae), Milton Debiasi, é a facilidade que os mais novos têm em formar redes de contato, ao mesmo tempo em que buscam a independência financeira.
Para Debiase, essas características geram iniciativa e “sede” por conhecimento. A forte inclinação ao empreendedorismo entre os mais novos, segundo ele, também é fruto da própria tendência atual em se contratar menos dentro das empresas.
“Também tem contribuído a redução de contratação de pessoas com qualificação superior, exceto alguns poucos setores. Isso leva à busca pela venda dos conhecimentos montando seu próprio negócio. Exemplo disso é o setor de serviços, que cresce bastante”, observa Debiase. De acordo com ele, a projeção é que, até 2020, o setor cresça mais do que o de comércio.
Outra tendência para os próximos anos, acentua o diretor do Sebrae/Bauru é a de que a juventude siga como protagonista nos negócios, principalmente em empreendimentos próprios. “Pesquisas mostram o crescimento do percentual de jovens, na faixa de 18 a 29 anos, que criam o próprio negócio. Destaque para as mulheres”, enfatiza.
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