O desprendimento para encarar desafios é outra vertente dos jovens bem sucedidos que integram o crescente contingente de líderes com pouca idade. Presentes nos mais variados setores, esses profissionais usam e abusam do faro apurado em mostrar novas maneiras de expressar talento.
É o caso do empresário Daniel Igarashi. Aos 30 anos, ele, ao lado do sócio Eduardo Stevanatto, acaba de abocanhar um prêmio conferido por ninguém menos do que a multinacional Intel, entregue nos Estados Unidos.
Sócio-proprietário da MStech, empresa bauruense referência internacional na criação de softwares específicos para a área de educação, ele recebeu a distinção em cerimônia realizada pela gigante multinacional (da qual a empresa bauruense é parceira) na cidade de New Orleans.
O prêmio faz alusão ao desempenho da companhia no ano passado. Fundada há duas décadas, a organização, contudo, teve crescimento vertiginoso nos últimos anos quando, lembra Daniel -- formado em Sistemas de Informações pela Unesp/Bauru, em 2004 – apostou no então nicho educacional. “Hoje não é nicho e sim um importante mercado”, diferencia.
Dos cerca de 30 colaboradores em 2005, a empresa saltou para uma folha de pagamento com 500 funcionários atualmente.
Inserida num dos segmentos em voga quanto a faturamento e expansão, a empresa, observa Igarashi, tem como um dos próximos pilares a implantação de uma solução que concretizará o uso de tablets nas escolas, com todas as ferramentas que dispensarão cadernos ou apostilas.
Contudo, o sucesso com prêmios não é o principal para o jovem diretor. Igarashi acredita que de nada vale o reconhecimento corporativo sem um legado. “Riqueza é aprendizado. Não basta buscar o sucesso sem algo a se deixar. O importante é construir algo que seja útil para toda a sociedade”, ensina. “O bacana é produzir algo que contribua, cause impacto. O benefício pessoal é reflexo”, considera.
Doutor antes dos 30
Legado é justamente a principal finalidade das pesquisas de Geraldo Rosa Júnior. Aos 27 anos, graduado em Biologia pela Universidade Sagrado Coração (USC), com mestrado pela Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB/USP) e doutorando (com conclusão neste ano) pela Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp) em Cirurgia Experimental, Rosa Júnior visa mais do que os prêmios que já recebeu pelas pesquisas sobre regeneração nervosa.
Os trabalhos, atualmente na fase de testes em cobaias dentro de laboratório, consistem basicamente na busca pela recuperação de sensibilidade em regiões do corpo e até retomada de movimentos. A iniciativa mostra que pode saltar definitivamente do campo teórico para os centros cirúrgicos por meio das distinções aferidas dentro do universo acadêmico.
Entre os mais recentes prêmios recebidos, a pesquisa do jovem doutorando bauruense foi reconhecida com o primeiro lugar durante congressos, realizados ano passado, pela Sociedade Brasileira de Pesquisa Odontológica (SBPO) e também no Hospital Estadual Bauru (HEB), em exposição sobre reabilitação.
“É um ramo experimental, mas visamos à recuperação de lesionados sejam por acidentes ou outros traumas”, vislumbra. “Trabalhos sobre funções motoras e sensitivas”, sintetiza o pesquisador.
Família e trabalho: responsabilidade dobrada
Para alguns, tocar o negócio iniciado por pais ou avós significa “nascer” dentro do emprego. Para muitos outros, entretanto, chamar para si a responsabilidade de manter – e aprimorar – o esteio do sustento familiar é carga dobrada: garantir o próprio trabalho, bem como o ganha pão de todos os parentes.
É o que fazem os irmãos industriais Rodrigo e Rafael Manzano, que ajudam a dirigir a Ercitec, empresa instalada no Distrito Industrial II de Bauru. A empresa, fundada pelo engenheiro Adilson Manzano, pai deles, tinha como foco a produção de máquinas para a extração de óleo vegetal.
Graduado em administração de empresas e farmácia, Rodrigo, hoje aos 36 anos, está no ramo desde quando o empreendimento foi inaugurado, inicialmente numa pequena sala da rua Batista de Carvalho. “Fazemos todo o equipamento para a extração do óleo como serviço para a extração”, explica.
Para ele, o fato de ter crescido dentro do trabalho lhe deu a chance de assimilar experiência naturalmente, além da formação acadêmica. “Comecei pouco depois que meu pai montou a empresa ainda numa sala da Batista de Carvalho. Passamos para um espaço maior na Bela Vista, foi lá onde comecei”, recorda ele, que atua na área financeira.
Rodrigo acredita que a tendência é dos jovens assumirem cargos de chefia ou parceria com familiares na direção dos empreendimentos próprios. Para ele, tanto a vivência quanto a formação acadêmica são importantes, e se completam. “Esse foi meu primeiro emprego. Sempre gostei mais da parte prática, do cotidiano, onde aprendemos muito. Mas a teoria dá a visão completa, mais ampla do que é uma empresa. Ambos são aliados”, opina.
Quem também começou cedo no batente dentro da família é o jovem corretor imobiliário Stefanno Moraes. Hoje aos 20 anos, ele conta ter iniciado a carreira aos 18, quando foi considerado, dentro do meio, o corretor mais jovem do Brasil.
Com a segurança de um veterano, ele recorda que a principal dificuldade enfrentada nos primeiros meses foi a certa desconfiança com que clientes, principalmente de idade mais avançada, olhavam para ele. “Isso existe sim. O que facilitou no meu caso foi o fato de eu representar uma empresa muito conceituada”, atribui. “Tenho exemplo dentro de casa e a ambição de dar continuidade aos negócios da família”, planeja.