O segredo é aproximar igualdades
Foi buscando a igualdade e deixando de lado as diferenças que Leonilda Tomazi Batista conseguiu unir pessoas de diversas religiões em prol do Núcleo Presidente Geisel, onde ela mora. A ideia surgiu há cerca de três anos, quando a Campanha da Fraternidade pregou o ecumenismo.
“Primeiro, bati na porta das igrejas pedindo uma reunião para, juntos, discutirmos algum projeto. Não funcionou. Por isso, pensei em um mutirão de limpeza em prol do lugar onde moramos. Conversei com o pessoal do Programa Escola da Família. Neste momento, cada um convidou outros membros da igreja onde participava e conseguimos um bom resultado”, comemora ela.
Mesmo tendo sido realizado há alguns anos, o mutirão de limpeza inter-religioso deu frutos. A própria Leonilda ficou mais receptiva e, com isso, começou a participar do Grupo Ecumênico de Bauru.
Frequentadora da Paróquia da Imaculada Conceição, que tem como vizinha a Igreja Quadrangular, Leonilda não tem problemas em conviver com vizinhos, parentes e amigos de outras religiões. Sua irmã, seu filho e Rose, uma amiga muito próxima, inclusive, fazem parte de outras religiões.
“Nos pautamos pelo que nos aproxima e não por o quê nos afasta. Quando temos casamento ou missa de 7º dia em uma das igrejas, por exemplo, não vemos problemas em frequentá-la. Independentemente da religião, todos os caminhos levam a Deus”, defende.
Grupo ecumênico
O que a Igreja Luterana, a Igreja Presbiteriana, o Esquadrão da Vida e a Igreja Católica têm em comum? A pergunta não é fácil de ser respondida, afinal, tratam-se de religiões com doutrinas um tanto quanto diferentes. Contudo, é justamente esta diferença que as une e faz com que alguns de seus membros se interessem em participar do Grupo Ecumênico de Bauru.
O grupo existe há cerca de 12 anos e é composto, principalmente, por líderes religiosos de igrejas cristãs tradicionais. Ao todo, nove pessoas se reúnem mensalmente para organizar eventos, debater alternativas para a divulgação do ecumenismo e se confraternizar.
“Tudo teve início com um médico católico. Ele começou a estreitar os relacionamentos com representantes de outras igrejas e religiões. Com o tempo, ele notou que a convivência, além de positiva, poderia trazer frutos. Assim o grupo se formou”, explica Elaine de Oliveira Martins, coordenadora do grupo.
De acordo com ela, o principal objetivo do ecumenismo não é discutir as diferenças, mas, sim, aprender convivendo com elas e aproximar relacionamentos pela igualdade. Para isso, realizam semanas de oração, participam da Feira da Bondade, apresentam cantatas, participam de campanhas de incentivo ao ecumenismo, entre outras coisas.
“Todos temos uma única fé, cremos no mesmo Deus e em Jesus. E isso é o mais importante”, frisa.
Fazer o bem sem olhar a quem
Quando o assunto são ações sociais, as diferenças religiosas devem ser postas de lado e o bem-estar do ser humano deve ser colocado em primeiro plano. Esta é a opinião do pastor da Igreja Luterana Alexandre Costa.
“As pessoas confundem. Não estou dizendo que temos de formar uma única igreja. Pelo contrário, as igrejas e as denominações devem ser mantidas. O que temos de fazer é unir forças em prol do próximo”, frisa.
E bons lugares para colocar isso em prática são os bairros. Pensando nisso, constantemente Alexandre promove campanhas sociais, como a Campanha do Agasalho e a campanha de recolhimento de óleo de cozinha para reciclagem.
“Todas as religiões podem engajar-se e colaborar com nossas campanhas. Nunca é demais somar forças para fazer o bem ao próximo”, aponta.
Além disso, a Igreja também mantém, no Parque Vista Alegre, onde está instalada, o Centro Social Amor Perfeito, que oferece a crianças e adultos diversas oficinas e atividades, como as aulas de capoeira, luta que apesar de ter origem africana e ligações com o candomblé, é apresentada à comunidade como um esporte de grande valor cultural.
“Nossos projetos não têm restrições religiosas. São para toda a comunidade”, destaca.